Artigo polêmico: Febre sem sinais localizatórios: manejo de RNs> 21 dias e lactentes <90 dias sem punção lombar ou antibióticos

29 de janeiro de 2018

Febre sem sinais localizatórios: manejo de RNs> 21 dias e lactentes <90 dias sem punção lombar ou antibióticos

Lactentes menores com idade ≤ 90 dias que se apresentam com febre sem sinais localizatórios geralmente recebem uma avaliação completa com o objetivo de identificar infecção bacteriana grave. A avaliação laboratorial geralmente inclui hemograma, hemocultura, urina I e urocultra, e punção lombar, com análise e cultura do liquor. Recém nascidos (idade ≤ 28 dias) são, pelos guidelines atuais, manejados com antibiótico e com coleta de liquor, ao menos até o resultado final das culturas, enquanto lactentes com idade entre 29 e 90 dias, se apresentaram baixo risco após a avaliação inicial podem ser manejados sem o uso de antibiótico.

Um grupo espanhol publicou a experiência prospectiva com o manejo de recém-nascidos lactentes febris com baixo risco que foram avaliados e receberam alta de serviço de emergência sem a realização de coleta de liquor e sem a indicação de uso de antibiótico, que apresentaram boa evolução no seguimento sem internação.

Foram incluídas quase 600 crianças no estudo. Os critérios para baixo risco foram: bom estago geral, idade > ou = 21 dias, ausência de leucócitúria (no estudo foi feita análise em fita), contagem total de leucócitos <10.000, PCR ultra-sensível < 20 mg/L, procalcitonina <0.5 ng/mL, e ausência de deterioração clínica surante observação no pronto-atendimento (em 30% dos casos do estudo foi <6 horas, em 68% dos casos entre 6 e 24 horas e não foi registrado em 2% dos casos).

Em dois casos (0,3%), houve a identifação de doença bacteriana grave (bacteremia por S. aureus e gastroenterite por Salmonella), e outros 29 casos (5%) apresentaram possível infecção bacteriana grave, porém sem agente identificado/ documentado. Ainda cerca de 50 pacientes (9% da coorte) retornaram ao pronto atendimento para revaliação, sem que fosse identificados casos de infecção bacteriana grave. Nenhum paciente apresentou meningite.

 

REFERENCIAS

  1. Journal Watch: Louis M. Bell, MD revisando Mintegi S et al. Arch Dis Child 2017 Mar.
  2. Mintegi S et al. Manejo ambulatorial de crianças jovens febris selecionadas sem antibióticos. Arch Dis Child 2017 Mar; 102: 244. (http://dx.doi.org/10.1136/archdischild-2016-310600)