Associação entre uso de inibidores da bomba de prótons e risco de fratura em crianças

14 de junho de 2020

Associação entre uso de inibidores da bomba de prótons e risco de fratura em crianças

 

  • O uso de inibidores da bomba de prótons (IBPs) foi associado a um risco aumentado de fratura em adultos – com dados controversos, discussão em torno do design de tais estudos e potenciais vieses da população adulta que usa IBPs – em geral pacientes mais velhos, com comorbidades)
  • A prescrição de IBPs para crianças é relativamente comum, mas existem poucas evidências sobre segurança em pacientes pediátricos. Por esse motivo, um estudo sueco, procurou especificamente avaliar a associação entre uso de IBP se risco de fratura em crianças.

 

  • Tratou-se de um estudo de  coorte pediátrica nacional na Suécia, com base em registro de dados, abrangendo o periodo de  de julho de 2006 a dezembro de 2016.
  • Foram excluídas as crianças que tiveram fratura anterior ou condições crônicas relevantes.
  • Idade média da coorte foi de 12,6 anos
  • Foram comparados mais de 115 mil crianças (menores de 18 anos) que iniciaram o uso de inibidor de bomba de protons, com o mesmo numero de pacientes pareados sem o uso de tal classe de medicamentos (grupo controle rigorasamente escolhido/pareado)
  • Nesse estudo foi usada regressão de Cox estimar as “taxas de risco” (Hazard ratios) para uma fratura de qualquer tipo e avaliação de 5 subtipos de fratura
  • Tempo de acompanhamentofoi de até 5 anos, mas, em média 2.2 anos.
  • Para abordar possíveis fatores de confusão foi realizada analise com escores de de escore de propensão e uma comparação com antagonistas do receptor de histamina-2.
  • Ocorreram 5354 e 4568 casos de fratura entre aquelas crianças que iniciaram IBP versus aquelas que não iniciaram, respectivamente (115.933 pares de crianças). Ou seja, durante um período médio de 2 anos de acompanhamento, ocorreram fraturas em 20,2% do grupo com IBP versus 18,3% no grupo controle.
  • Isso se traduziu numa taxa de 20,2 vs 18,3 eventos 1.000 pessoas-ano, com associada taxa/razao de risco [HR] de 1,11 [IC 95%, 1,06-1,15]).
  • O uso de IBPs foi associado ao aumento do risco de fratura de membros superior (FC, 1,08 [IC 95%, 1,03-1,13]) e inferior (HR, 1,19 [IC 95%, 1,10-1,29]) e outras fraturas (HR, 1,51 [IC 95%, 1,16-1,97]), mas não fratura cranianas ou da coluna.

 

  • Na análise secundária por faixa etária, houve significância no riscos aumentado para qualquer fratura em pacientes que iniciaram IBPs com 6 anos ou mais.
  • Na análise secundária avaliando a associação entre a duração cumulativa do IBP e risco de qualquer fratura a HR foi de 1,08 por um período de tratamento de IBP de 30 dias ou menos, 1,14  entre 1 mes e 1 ano e 1,34 se uso do IBP por um ano ou mais.
  • Na análise secundária de IBPs especiicos, o omeprazol foi associado a um risco aumentado de qualquer fratura (HR 1,08), enquanto o risco de qualquer fratura não aumentou significativamente com o esomeprazol (HR 1,05 [IC 95%, 0,94-1,16]), lansoprazol (HR,1,06 [IC 95%, 0,90-1,25]) e pantoprazol (HR 1,31 [IC 95%, 0,88-1,99]).

 

  • Portanto, constatou-se que o uso de IBP estava associado a um aumento de 11% no risco de fratura, uma diferença estatistica (e clinicamente) significativa!
  • Estes dados sugerem que o uso de IBP está associado a um pequeno aumento do risco de fratura em crianças; os resultados informam considerações de segurança quando esses medicamentos são prescritos para pacientes pediátricos.
  • O risco de fratura deve ser levado em consideração ao avaliar os benefícios e riscos do tratamento com IBPs em crianças.
  • Pais devem ser informados desse risco, embora não contra-indique o uso de IBPs, quando indicado.
  • No entanto, vale notar que crianças com outros riscos potenciais para doenças ósseas e fraturas foram excluídas da análise,  e o risco pode diferir nessa população devendo ser ainda mais cautelosa a indicação de uso IBPs.

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REFERENCIA/FONTE

https://jamanetwork.com/journals/jamapediatrics/article-abstract/2762641

 

 

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