Baixa estatura para o pediatra geral

4 de agosto de 2017

Baixa estatura na visão do pediatra geral

 

– Maioria dos casos de crianças com aparente crescimento inadequado não apresenta causa patológica de baixa estatura.

 

– Crescimento fetal: depende de fatores extrínsecos e intrínsecos – em geral até 45-50 cm em 40 semanas – crescimento predomina na primeira metade da gestação enquanto ganho de peso é mais importante no final da gestação.

 

– Crescimento pós-natal: igualmente dependente de fatores intrínsecos (hormonais) e extrínsecos.

  • Lactente: em geral cresce 20-24 cm no primeiro ano de vida, 15-18 cm no segundo, 10-18 cm no terceiro.
  • Pré-escolar e escolar: crescem continuamente 5-7 cm/ano dos 4 anos até o início da puberdade.
  • Puberdade: na aceleração do crescimento, meninas crescem 8-9 cm/ano, e meninos crescem 9-10 cm/ano.
  • Em linhas gerais, estatura do sexo masculino tende a ser 13 cm maior que do sexo feminino.

 

– Avaliação de baixa estatura compreende seu reconhecimento, avaliação clínica, avaliação laboratorial-radiológica, e finalmente identificação da causa.

 

– Crianças menores de 2 anos devem ser avaliadas em antropometro e balança horizontais, enquanto maiores de 2 anos, em aparelhos verticais.

 

– Avaliação deve ser seriada em gráficos de crescimento adequados a população em questão. A velocidade de crescimento (VC) deve ser calcula em período mínimo de 3 (em lactentes e na puberdade) ou 6 meses (nas demais fases da infância). Outra forma de avaliar esse parâmetro é pela observação em curva de crescimento (manutenção dentro do mesmo canal de percentil ou desvio padrão).

 

– O cálculo do canal de crescimento considera a média da estatura dos pais: mais 6,5 cm para o sexo masculino, menos 6,5 cm para o sexo feminino. Em relação a esse valor considera-se aceitável um desvio de mais ou menos 8,5 cm

Ex. pai de 175 e mãe de 165 cm (média 170 cm) – canal para menino é de 176,5 cm +/- 8,5 cm (168 a 185), canal para menina é 163,5 cm +/- 8,5 cm (155 a 172).

 

– Três conceitos de baixa estatura ou de distúrbios de crescimento:

. estatura <p3 ou <-2DP para idade e sexo na curva de referencia.

. criança no percentil ou desvio-padrão abaixo do limite inferior do canal familiar (conceito valido somente a partir do terceiro ano de vida)

. criança com diminuição da velocidade de crescimento gerando mudança com queda de faixa de percentil ou de desvio padrão em avaliações consecutivas

 

– Curvas da OMS estão disponíveis no site: www.who.int

 

– Dados de anamnese importantes: medidas anteriores de crescimento, idade em que o problema foi percebido, desenvolvimento neuropsicomotor, história e inquérito alimentação, período perinatal e gestacional, antecedentes pessoais e familiares, fatores biopsicossociais, uso de medicamentos.

 

– Dados específicos de exame físico: dismorfismos, malformações, desenvolvimento puberal, antropometria (incluindo relação entre segmentos corporais).

. Segmento superior (SS): diferença entre estatura e segmento inferior.

. Segmento inferior (SI): da sínfise púbica até o chão/ planta dos pés.

. Normalidade da relação SS/SI: 1,7 ao nascimento => 1,3 aos 3 anos de idade  => 1,0 entre 8-10 anos.

 

– Idade óssea é avaliada com radiografia de punho esquerdo, segundo a referência de Greulich-Pyle ou Tanner-Whitehouse. Considera-se normal desvios de até 6 meses para lactentes e 12 meses para crianças maiores. Só tem valor repetição do exame após intervalo de 12 meses.

 

– Velocidade de crescimento é um grande divisor de águas. Se velocidade de crescimento normal: causa da baixa estatura não é patológica na imensa maioria dos casos, mas isso não é um verdade absoluta (ver no diagnóstico diferencial que velocidade de crescimento pode estar normal em doenças crônicas).

 

  • Se baixa velocidade de crescimento: ampliar investigação incluindo função renal, eletroforese de proteínas, pesquisa de gordura nas fezes, anticorpo transglutaminase IgA (dosando simultaneamente IgA total), transaminases e canaliculares. Considerar doença inflamatoria intestinal no diferencial, diminuiçao pode ser a primeira manifestaçao de DII – questionar quanto a dor abdominal, habito intestinal, historia familiar, e considerar calprotectina fecal e/ou avaliaçao endoscopica/

 

– Pacientes do sexo feminino: realizar cariótipo, pois baixa estatura pode ser a única manifestação de Síndrome de Turner.

 

– Urina I/Urocultura são recomendadas para menores de 2 anos para o diagnósitco de Infecção do Trato urinário.

 

 

– Cerca de 1% das crianças com baixa estatura apresenta causa endocrinológica.

 

– Apesar de parecer relativamente simples, o diagnóstico diferencial pode ser difícil.

  • Baixa estatura familiar: baixa estatura proporcionada, velocidade de crescimento normal, idade óssea normal, puberdade normal, baixa estatura na vida adulta.

 

  • Atraso constitucional do crescimento e puberdade: baixa estatura proporcionada, velocidade de crescimento normal, idade óssea e idade de início da puberdade e atrasadas, estatura normal na vida adulta, história familiar de atraso puberal.

 

  • Doença esquelética ou doença crônica: baixa estatura desproporcionada, com velocidade de crescimento normal ou baixa, idade óssea normal ou atrasada, puberdade normal ou atrasada. Pode estar presente antecedente familiar de baixa estatura desproporcionada.

 

  • Doenças endócrinas: baixa estatura proporcionada, velocidade de crescimento baixa, desproporção entre peso e estatura, idade óssea atrasada, puberdade atrasada (na ausência de tratamento).

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