Deficiência de lipase ácida lisossomal

17 de novembro de 2020

Deficiência de lipase ácida lisossomal (LAL)

– A deficiência de lipase ácida lisossomal é uma doença autossômica recessiva, parte do grupo de doenças de depósito lisossômico. Pode ter fenótipo e gravidade variável de acordo com a atividade da enzima. A enzima é codificada  codificada pelo gene LIPA, localizado em no cromossomo 10q23.31 – existem diversas mutações descritas, sem clara correlação genótipo?fenótipo. A função da enzima é de realizar a hidrólise intracelular dos ésteres de colesterol e triglicérides. Acredita-se haver muito subdiagnóstico – a incidência reportada é de  aproximadamente 1/130.000 (mas esse número pode ser muito subestimado)

– O espectro clínico abrange a doença de Wolman (uma forma grave de início precoce na infância) e a doença do armazenamento de éster de colesterol – com sintomas mais leves do que o da Doença de Wolman, mas ainda com potencial de gravidade significativo

* A Doença de Wolman tipicamente se manifesta nas primeiras semanas de vida, com vômitos, intolerância alimentar, hepatoesplenomegalia, ascite, esteatorreia/má-absorção, e classicamente com calcificações na adrenal. O prognóstico é bastante reservado (morte nos primeiros 6 a 12 meses de vida sendo o desfecho reportado na maioria dos casos)

* A Doença do armazenamento de éster de colesterol é considerada menos grave, se manifesta mais tardiamente – ainda na infância ou até na vida adulta, típicamente diagnosticada diante de aterosclerose precoce e hepatomegalia

– Diagnóstico diferencial inclui outros transtornos do metabolismo, tais como glicogenose, Niemann-Pick tipo B ou C, doença de Gaucher, hiperlipidemia familiar combinada e outros problemas metabólicos

– A deficiência de lipase ácida lisossomal deve ser considerada em pacientes que apresentem hepatomegalia não explicada, altos níveis de LDL e triglicerídeos, baixos níveis de HDL e elevação de transaminases.

– Achados histológicos: Esteatose microvesicular predominante envolvendo hepatócitos, células Kupffer e macrófagos portais, progredindo para fibrose e cirrose micronodular

– O prognóstico da deficiência de lipase ácida lisossomal parece ter sido revolucionado com a terapia de reposição da enzima (sebelipase alfa), mas ainda há poucos estudos de acompanhamento em longo prazo dos pacientes, visto que trata-se de uma terapia relativamente nova (2015).   O transplante hepático não parece ser um a “cura” uma vez que há relatos de ressurgimento da doença  e progressão após o transplante, com acometimento de outros órgãos, incluindo medula óssea e o intestino delgado. O  papel do transplante de medula óssea em corrigir o defeito da enzima está sendo investigado, tendo havido relatos casos bem-sucedidos.

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REFERENCIA

  • Benevides GN, Miura IK, Person NC, Pugliese RPS, Danesi VLB, Lima FR, Porta G. Lysosomal acid lipase deficiency in Brazilian children: a case series. J Pediatr (Rio J). 2019 Sep-Oct;95(5):552-558. doi: 10.1016/j.jped.2018.05.016. Epub 2018 Jul 3. PMID: 31340901.
  • Tommaso, Adriana Maria Alves De, Barra, Flávia Fonseca de Carvalho, Hessel, Gabriel, Moreno, Carolina Araújo, Giugliani, Roberto, & Escanhoela, Cecília Amélia Fazzio. (2018). IMPORTÂNCIA DA BIÓPSIA HEPÁTICA NO DIAGNÓSTICO DA DEFICIÊNCIA DE LIPASE ÁCIDA LISOSSOMAL: RELATO DE CASO. Revista Paulista de Pediatria36(1), 113-116. Epub 30 de outubro de 2017.

 


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