Desenvolvimento neurológico e psíquico da criança e adolescente

24 de outubro de 2017

Desenvolvimento neurológico e psíquico da criança e adolescente

 

– O desenvolvimento neurológico e psíquico é evento contínuo e inicia-se já no pré-natal.

– Constituem fatores de risco já no período pré-natal: consumo materno de álcool, irradiação, uso de drogas na gestação, infecção congênita, não suplementação ou atraso no início da suplementação com ácido fólico. Quanto mais precoce o evento potencialmente lesivo, maior o risco de lesão grave ao feto.

 

– Até os três meses de vida: contato com o meio muito limitado. Principal é a conexão com a mãe. Visão é limitada e pouco nítida (15-20 cm de visão mais nítida), atos neurológicos são reflexos, sem atos complexos superiores. Alta receptividade a estímulo: começa fixar olhar, busca cores e sons. Nesse período, avalia-se mais o risco ao desenvolvimento do que déficits.

– Entre 3 e 6 meses de vida: inicia atividade recíproca. Inicia a capacidade de antecipar a situações prazerosas ou não. Há um estímulo e o retorno: sorriso social já bem estabelecido. Melhora visão, audição e tato.

– Entre 6 e 9 meses: fortalece-se a relação com o cuidados, iniciando a reserva com estranhos. Manifestam-se emoções mais bem definidas.

– Até um ano: desenvolvimento neurológico importante, crânio-caudal, que culminará na deambulação sem apoio. Primeiro controle cervical, sequencialmente tronco (sentando), coxas (engatinhar) e finalmente deambular.

 

– Andador é proscrito: criança deixa de fortificar a coxa, que seria um passo fundamental para o deambular. Alem de haver o risco de acidentes.

 

– De 12 a 18 meses: grande marco no desenvolvimento da criança que inicia exploração do ambiente, por meio de pessoas por quem tem maior apego. Mostra segurança conforme domina o ambiente. Passa a mostrar seus interesses, indicar com o que querem brincar.

 

– Entre 18 e 36 meses: fase da ansiedade de separação. Vínculo com a família é reforçado, ocorre primeiro processo ansioso da criança. Limitações aparecem pela fantasia e pelo jogo.

 

–  No aspecto psíquico a deambulação é um dos principais marcos de separação materna, pois permite execução de vontades e funções executivas. Linguagem e controle esfincteriano são outras etapas importantes, mas também dependem de desenvolvimento neurológico, além de psíquico, ocorrendo no segundo ano de vida.

– Desenvolvimento é cranio-caudal: sustentação do pescoço com 3 meses, controle de tronco com 6 meses, engatinhar com 9 meses, deambular com 1 ano, controlar esfíncter com 2-3 anos.

 

– Marcos motores a partir de 3 anos: 3 anos=> subir escadas sem ajuda alternando os pés, saltos de 30 a 60 cm (irregular). 4 anos=> maior controle para parar, descer escada sem apoio. 5 anos=> viram e param com eficiência, saltam distâncias maiores é enquanto correm.

– A partir dos três anos há maior desenvolvimento de habilidades motoras, linguagem e independência nas atividades de auto cuidado – independência para se vestir, higiene pessoal, e alimentação. Inicia a troca social, sendo fundamental criança aprender regras e limites.

– Plasticidade cerebral infantil é muito importante. Para o desenvolvimento adequado: nutrição, afeto e estímulo são fundamentais.

 

– Quanto a linguagem: entre 0 e 4 meses, a criança percebe sons (já percebia dentro do útero), produz sons guturais e balbucia, brinca, ainda sem intenção. Entre 5 e 6 meses emite sons consoantes. Apesar de não ter fala estabelecida, tem afeto na linguagem, que é importante ser notado na avaliação do desenvolvimento neurológico. Entre 10 e 12 meses, além do balbucio, há o uso de gestos para comunicação e seqüência de consoantes e vogais; a partir daí o dissilabo pode passar a ter significado, se isso for adequadamente ensinado a criança – família deve perceber a tentativa de comunicação. A partir de 12 a 18 meses: uso da linguagem por meio de palavras isoladas. Somente entre 18 e 24 meses iniciam as primeiras frases, curtas, com verbo; nessa etapa existe a “explosão de linguagem” com expansão significativa do vocabulário (de 5-10 palavras com 12 meses até 400 palavras aos 24 meses). Entre 24 e 36 meses: expansão ainda maior do vocabulário, início da combinação de até 3 palavras, com expansão do vocabulário até em torno de mil palavras, sendo 80% delas inteligíveis.

 

 

– Fases do desenvolvimento cognitivo por Piaget: entre 0 e 2 anos é sensório-motor => percepções sensoriais culminando em atos motores. Entre 2 e 5 anos: pré-operatório: início de atos corticais, iniciando representação da realidade através de símbolos, que são gestos e palavras. Entre  6 e 12 anos: operatório concreto: operações mentais por modelo lógico, combinação é separação de objetos e de ações mentalmente. Entre 12 e 19 anos: operatório formal: capacidade de pensar sobre todas as relações lógicas existentes de um problema, interesse em ideias abstratas e no processo do pensamento.

 

 

 

 

– Na adolescência: alterações físicas importantes exigem adaptações neuropsiquicas. Deve partir de um bom basal motor, de relacionamentos (grupo, escola, relações familiares) autoestima, e padrão de reação à estímulos e frustração. Pela OMS é delimitada entre 10 e 20 anos, pelo Estatuto da criança e do adolescente entre 13 e 18 anos. Quanto aos diversos aspectos do desenvolvimento costuma ser dividida entre inicial (10-14 anos), intermediária (14-17), e final (17-20). Na fase inicial, no aspecto psíquico há uma diminuição do interesse pela família e um aumento do interesse pelos grupos sociais, geralmente do mesmo sexo. Na fase intermediária, identificação social com amigos e relações com ambos os sexos. Na fase tardia, valores e comportamento são próximos ao do adulto, com reaproximação da família. Há desenvolvimento importante do córtex frontal, com melhor controle dos impulsos e reações. Aprendizados nas trocas sociais são fundamentais para construção do adulto: isolamento deve ser evitado (tanto pelo adolescente como atitude do país de tentar evitar frustrações).

 

Esporte competitivo pode ser inserido se passar pela vontade inicial do adolescente, assim como cursos, musicalização, aperfeiçoamentos cognitivos (devem ser estimulados). Fundamental manter tempo de ficar em casa sem atividade definida.ha transição do pensamento concreto para conceitos abstratos.

 

. Riscos inerentes à adolescência: uso de drogas e álcool, fumo, comportamento sexual de risco, desregramento social,gravidez precoce e abortamento. Fatores protetores incluem valores familiares, escola, religiosidade, atividades físicas.