Dislipidemia

16 de março de 2019

Dislipidemia

  • Dislipidemia materna representa fator de risco para criança – predisposição começa intra-utero.
  • Prevalência é muito heterogênea. Há diferentes tipos de dislipidemias. Mundialmente: 2.5 a 33%. Prevalência exata no Brasil é desconhecida.
  • Hipercolesterolemia familiar: autossômica codominante. Heterozigotica ocorre em 1:500 pessoas, e é assintomática, sendo em geral diagnosticada após um infarto em adulto jovem. Homozigotica ocorre em 1:1.000.000, precocemente sintomática, pode cursar com xantomas, espessamento tendineo, alem da ateromatose.
  • Causas de estilo de vida relacionadas a dislipidemia: dieta, sedentarismo, tabagismo, obesidade, anorexia.
  • Medicamentos que cursam com dislipidemia secundaria: corticóides, acido retinoico, estrógenos, imunossupressores, betabloqueadores, testoterona, contraceptivo oral, esteróides anabólicos, quimioterapicos
  • Doencas que cursam com dislipidemia secundaria: metabólicas (ex. DM, lipodistrofias), distúrbios hormonais (incluindo hipotireodismo e síndrome de Cushing), doenças de deposito (como Gaucher, Niemann-Pick, outras), Kawasaki, doenças inflamatórias crônicas (LES, AR), hepatopatias, insuficiência renal crônica.
  • Para triagem de dislipidemia, jejum de 12 não é obrigatório se laboratório mede diretamente o colesterol LDL (não calculado). Colesterol total e fração não HDL permitem detectar o risco aterogênico e detectar precocemente a dislipidemia primaria e secundaria. Pontos de corte que exigem atenção segundo as diretrizes de prevenção e detecção de aterosclerose na infância e na adolescência: CT > 170 (limítrofe de 150 a 170), LDL > 130 (limítrofe de 100-130), HDL<45, TG >130 (limítrofe de 100-130). Fração não HDL do colesterol é chamada de alterada se > 144. Apoliproteina B > 110 ou AI<110. Triagem indicada para escolares de 9 a 11 anos e adolescentes.
  • Se resultados limítrofes: repetir em 1 ano, educação nutricional, evitar fatores de risco. Se dislipidemia: tratamento dietético indicado para todos os casos, atividade física regular, tratamento medicamentoso indicado para casos selecionados.
  • LDL>250, TG >500 – acompanhamento com especialista, possível indicação de medicações off label dado o risco cardiovascular.
  • Casos limítrofes: reavaliar o estilo de vida a cada três meses, repetir perfil lipídico em 1 ano orientar fatores de risco, realizar dieta e atividade física.
  • Se LDL > 130: reavaliar estilo de vida mensalmente, repetir perfil lipídico a cada 3 meses, avaliar se causa primaria ou secundaria, recomendar triagem familiar, intervir clinicamente, dietoterapia e atividade física. Meta de abaixar <130, idealmente < 110. Criancas ate 14 anos meta pode ser menos agressiva de reduzir 30%, entre 14 e 18 anos meta <130, acima de 18 anos meta é <100.
  • Para triglicérides: > 100 se <10 anos ou > 130 se >10: reavaliar estilo de vida mensalmente, repetir perfil lipidoco a cada 3 meses, perda de peso se necessário, orientar dieta especifica para hipertrigliceridemia – aumentar oferta de peixe na dieta, diminuir consumo de carboidratos simples, limitar consumo de gordura a 30% do valor energético total.
  • Tratamento medicamentoso em geral é iniciado após 6 meses de dieta e atividade físico (não é verdade em casos extremos)
  • Muito importante trabalhar os hábitos da família, pois crianca não pode receber tratamento diferente sozinha, pois isso falha. Pais devem ser ensinados a ler rótulos. Gordura hidrogenada significa a presença a gordura trans. Gordura saturada deve ser evitada. Produtos diet devem ser usados com cuidado pois tem mais gordura.
  • Produtos “isentos de gordura trans” (gordura vegetal, gordura vegetal hidorgenada): se < 2% do conteúdo, o que é bastante problemático quando se ingere uma grande porção (ex. pacote de biscoito).
  • Objetivo da dieta: eliminar gordura trans, limitar gordura saturada a 7%, limitar gorduras totais a 25-30% da dieta.  Fibras solúveis reduzem a reabsorção do colesterol (insolúveis não influenciam no colesterol).
  • Omega 3 não tem dosagem recomendada para pediatria.
  • Indicacao de terapia medicamentosa: LDL>190, LDL>160 com fatores de risco (HF+, sd. Metabólica, tabagismo), LDL > 130 + DM.
  • Estatinas: indicação acima de 10 anos/ depois da menarca em meninas, com dosagem previa de CK/ALT/AST; teratogênica. Provastatina é oficialmente liberada para menores de 10 anos.
  • Resinas seqüestradoras de ácidos biliares podem ser usadas a partir de 6 anos. Pouca tolerância gastroinestinal. Colestiramina (Questran).

 

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