Divertículo esofágico

7 de fevereiro de 2021

Divertículo esofágico

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– Os divertículos esofágicos são raros na população de forma geral, e extrememente raros em pediatria. Eles podem ser classificados por localização ou provável etiologia. Por localização, costumam ser denominados faringoesofágicos, de esofago médio ou epifrênicos e, por etiologia, pulsão ou tração.

– Os divertículos faringoesofágicos, ou divertículos de Zenker, são os mais comuns. Esses divertículos ocorrem em áreas de lacunas musculares. Eles ocorrem mais comumente no constritor inferior da faringe, no cricofaríngeo e entre as fibras do músculo tireofaríngeo. Esta área, considerada a mais suscetível aos divertículos, é referida em várias publicações como o triângulo de Laimer, o triângulo de Killian ou o triângulo de Killian-Jamieson. Esses divertículos são os mais prováveis ​​de causar sintomas: disfagia em 98%, aspiração em até 30% e deglutição ruidosa, halitose, regurgitação ou alterações vocais com menor frequência. Acredita-se que os divertículos de Zenker sejam secundários à disfunção do mecanismo de deglutição. Estudos manométricos demonstraram falha do esfíncter esofágico superior em relaxar completamente com a deglutição e aumento da pressão faríngea. Esses divertículos de pulsão ocorrem principalmente em idosos, portanto, acredita-se que a fraqueza muscular nessa área seja um fator contribuinte. O tratamento pode incluir miectomia do músculo cricofaríngeo, diverticulectomia ou diverticulopexia com ou sem miomectomia. Eles podem ser tratados endoscopicamente pela abertura do septo entre o lúmen esofágico e o divertículo. Como o músculo cricofaríngeo está dentro desse septo, o procedimento inclui uma miomectomia. Muitos acreditam que a miomectomia é o elemento essencial no tratamento de um divertículo faringoesofágico.

– Os divertículos do esôfago médio têm maior probabilidade de ser do tipo de tração. Acredita-se que esses divertículos resultem de alterações inflamatórias no mediastino e podem ocorrer em associação com doenças granulomatosas, como a tuberculose. A hipotese para o mecanismo seria de que os linfonodos inflamados no mediastino provavelmente causam tração na parede esofágica e produzem um divertículo que envolve todas as camadas da parede esofágica. Esses divertículos de tração eram mais comuns quando a tuberculose era uma doença mais disseminada. Eles geralmente causam poucos sintomas e podem ser descobertos acidentalmente em estudos de contraste. Na era atual, com a mudança do perfil epidemiológico, acredita-se que os divertículos do esôfago médio tenham um mecanismo subjacente diferente – dado que a dismotilidade esofágica é um achado associado em muitos casos, acredita-se agora que também estes podem ter um componente de pulsão. O tratamento desses divertículos somente é necessário em pacientes sintomáticos e geralmente envolve a ressecção por meio de toracostomia ou toracotomia.

– Divertículos epifrênicos são divertículos de pulsão. Eles ocorrem nos 10 cm inferiores do esôfago, tipicamente em pacientes adultos. Esses divertículos também podem ocorrer após a fundoplicatura. Os sintomas relacionados ao distúrbio de motilidade subjacente do esôfago são comuns. O tratamento do distúrbio subjacente, diverticulectomia e miotomia são recomendados.

– Os divertículos esofágicos em crianças são extremamente raros e em geral são classificados como duplicações esofágicas, lesão traumática, divertículos por pulsão (geralmente secundários/ associados a estenose esofágica) e divertículos cricofaríngeos congênitos. Os divertículos cricofaríngeos congênitos são divertículos verdadeiros, assim chaados pois contêm todas as camadas do esôfago. Muito raramente, divertículos de Zenker foram relatados na população pediátrica. Acredita-se que surjam devido a anormalidades anatômicas do esôfago ou manipulação traumática durante o período neonatal.

– No caso de divertículos por pulsão, associados a estenose esofágica, a diverticulopexia pode impedir temporariamente o acúmulo de material no divertículo; entretanto, se houver estenose esofágica subjacente e essa não for tratada, a criança corre o risco de desenvolver novamente o divertículo.

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