Enteropatia por radiação

21 de fevereiro de 2021

Enteropatia por radiação

– A enteropatia aguda por radiação se apresenta tipicamente dentro de alguns dias e dentro de 3 meses após o início da terapia de radiação.

– São proposto três principais mecanismos pelos quais a enteropatia aguda por radiação danifica o tecido intestinal normal:

1) Por meio da morte celular do epitélio da cripta de proliferação rápida, resultando na quebra da barreira mucosa e na reposição insuficiente da população de enterócitos  (via células progenitoras da cripta,  migrando para as vilosidades);

2) Por meio de alterações induzidas por radiação no ambiente intracelular, na membrana plasmática de enterócitos e no meio extracelular;

3) Secundariamente como resultado da resposta inflamatória à radiação.

– A presença e a extensão da toxicidade da radiação intestinal dependem de vários fatores relacionados ao paciente e à terapia.

– Os sintomas de enteropatia aguda por radiação incluem náusea, dor abdominal, diarreia e fadiga, e podem se desenvolver em 60% a 80% dos pacientes durante a radioterapia para tumores abdominais ou pélvicos. A náusea geralmente se manifesta precocemente, enquanto a diarreia e a dor abdominal aparecem em 2 a 3 semanas no curso da radioterapia. A diarreia pode ser sanguinolenta e os sintomas podem assemelhar-se à doença inflamatória intestinal com acometimento colonico (Retocolite ulcerativa ou Doença de Crohn em cólon). Em pacientes que recebem radioterapia torácica, leve queimação subesternal à disfagia também pode ser um sintoma.

– Na maioria dos casos, os sintomas agudos desaparecem em 1 a 3 meses após o término do tratamento.

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– Em contraste com a enteropatia por radiação aguda, a enteropatia crônica (ou tardia/retardada) por radiação   ocorre normalmente mais de 3 meses após a terapia de radiação. Pode se manifestar antes da remissão dos sintomas agudos, mas ocorre mais comumente após um período de latência, que pode variar de 6 meses a 3 anos. Alguns pacientes podem apresentar enteropatia por radiação até 20 anos após receberem radioterapia, na ausência de sintomas anteriores.

– Os sintomas de enteropatia crônica por radiação incluem distensão abdominal, vômito e diarreia, são devidos a alterações irreversíveis na parede intestinal, incluindo atrofia da mucosa, fibrose da parede intestinal e esclerose microvascular.

– Completemente diferente da enteroparia aguda por radiação, que é via de regra transitória, a enteropatia crônica por radiação é progressiva e pode causar obstrução intestinal, formação de fístula ou perfuração intestinal. Muitos desses pacientes podem apresentar  falência intestinal, tornando-se dependentes de nutrição parenteral. A maioria dos pacientes tem sintomas persistentes e recorrentes, e a morbidade e mortalidade são altas, com 10% dos pacientes morrendo como resultado direto de dano de enteropatia por radiação.

– O diagnóstico é principalmente baseado em história clínica. Testes de diagnósticos podem complementar a avaliação, de acordo com os sintomas apresentados. Para enteropatia aguda por radiação, avaliação endoscopica  (EDA e colonoscopia) é tipicamente a mais comumente realizada, para avaliar outras etiologias orgânicas (associadas ou DD) e/ou, se sintomas debilitantes, para estimar a gravidade e se considerar possível redução da dose de radiação. Verificar se há deficiências de dissacaridases com biópsia duodenal (pouco disponível e custosa)ou teste de hidrogênio expirado podem ser úteis. Mas deve-se lembrar que testes de hidrogênio expirado  podem produzir resultados falso-negativos porque muitos pacientes submetidos à radioterapia recebem antibióticos. A avaliação endoscópica para enteropatia por radiação crônica é geralmente menos útil, porque as anormalidades são prováveis ​​em áreas do intestino que podem não ser alcançadas pela endoscopia. Testes de fezes para má absorção e avaliação do status da vitamina B12 também podem ser úteis em certas circunstâncias.

– O manejo é tipicamente de suporte e baseado na apresentação dos sintomas. A cirurgia pode ser indicada em alguns casos de obstrução intestinal.

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