Erros inatos do metabolismo – conceitos gerais

8 de julho de 2019

Erros inatos do metabolismo – conceitos gerais

 

  • Erros inatos do metabolismo (EIMs) constituem um grupo de doenças raras quando avaliados individualmente, que podem apresentar algumas características especificas, mas numerosos como um todo e  com um grande espectro de alterações inespecíficas comuns ao diferentes EIMs.
  • Consanguinidade parental constitui importante fator de risco.
  • Diagnóstico e intervenções precoces podem mudar radicalmente o prognóstico desses pacientes.
  • Devem ser lembrados nas seguintes situações: encefalopatia aguda, hiperamonemia, hipoglicemias e/ou acidose metabólica sem causa aparente, presença de odores estranhos no suor ou na urina (característicos para determinadas doenças); na presença de disfunção hepática associada ou não a ictericia, caraterísticas dismorficas, hepatoesplenomegalia nao explicada.
  • Manifestações podem ter como fatores desencadeadores: febre, infecção, jejum prolongado, exposição a algum alimento.
  • Na história obstétrica materna, pode haver antecedente de aborto de repetição ou natimorto. Na história familiar, pode haver antecedente de morte súbita não explicada na infância ou morte de RN ou lactente jovem por quadro infeccioso/ séptico (EIM não diagnosticado), assim como membro familiar de doença neurológica.
  • História alimentar detalhada é fundamental, assim como dados antropométricos ao longo do tempo.
  • Achados de exame físico incluem alterações neurológicas e do desenvolvimento, hepatomegalia, odores característicos, alterações cardíacas e da força muscular.
  • Triagem com exames complementares: hemograma, provas de função hepática (transaminases, coagulograma, albumina, bilirrubina total e frações), provas de função renal (ureia, creatinina e eletrólitos), gasometria com lactato e com calculo de de anion gap, glicose plasmática, amônia; urina tipo I, substâncias redutoras na urina, cetonuria.
  • Ideal é obter amostras ditas “críticas”, de sangue e urina do momento da descompensação. Se o local que realiza o atendimento inicial desse paciente não tiver recursos para processar essa análises, as amostras podem e devem ser armazenadas para posterior análise.
  • USG pode auxiliar confirmando organomegalias.
  • Neuroimagem pode revelar achados característicos. TC ou RM, ou mesmo TC com emissão de prótons.
  • Acidose metabólica: relacionada academias orgânicas, defeitos do piruvato, defeitos da cadeia respiratoria mitocondrial. Lactato é elevado nos dois últimos: defeitos tô piruvato e mitocondriopatias. Anion gap elevado (maior que 16) é comum nos 3 tipos de distúrbios.
  • Hipoglicemia: doenças de metabolismo de carboidratos e do glicogênio, beta oxidação de lipídios, galactosemia, intolerance a frutose.
  • Hiperamonemia: em doenças do ciclo da ureia e, em menor grau, nas acidemias orgânicas.
  • Disfunção hepática: tirosinemia, galactosemia, nas doenças do ciclo da ureia, defeitos do metabolismo do glicogênio, intolerância hereditária a frutose.
  • Tratamento visa remoção do metabolito acumulado e prevenção do catabolismo. Inicialmente deve ser tratada a descompensação aguda: tratamento de suporte para reversão da desidratação, hipoglicemia, distúrbios do equilíbrio ácido básico e distúrbio eletrolíticos. Suspensão da dieta em geral faz parte do manejo inicial, coleta de amostras críticas na descompensação.
  • Uma vez estabelecida a hipótese diagnostica específica, deve-se estabelecer restrições dietéticas e tratamento com cofator(es) se indicado(s). Restrição do agente desencadeante.
  • Muitos erros inatos podem ter bom prognóstico se tratados precocemente. Deve-se manter alta suspeição diagnostica e realizar encaminhamento precoce a centros especializados.