Esofagite Eosinofilica (EEo)

22 de julho de 2018

ESOFAGITE EOSINOFILICA (EEO)

  • A esofagite eosinofilica é uma condiçao crônica e imuno-mediada, que se caracteriza clinicamente por sintomas de disfunção esofágica e evidencia histológica de inflamação eosinofilica da mucosa.
  • Predomina no sexo masculino (70%), afeta mais caucasianos, tem forte associação com atopica (asma, rinite alérgica, dermatite atópica e alergia alimentar).
  • Disfunção esofágica: crianças menores mais frequentemente apresentam deficit de ganho pondero-estatural e dificuldades alimentares, enquanto escolares mais classicamente têm sintomas de refluxo, já pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens manifestam-se com disfagia e/ou impactação alimentar. Outras queixas que podem estar presentes: dor abdominal, dor torácica, vomitos, anorexia, saciedade precoce.
  • É importante questionar ativamente mecanismos compensatórios que o paciente pode desenvolver: comer devagar, cortar demais os alimentos, evitar alimentos com textura ou secos, beber muito liquido durante a refeição para facilitar a deglutição.
  • Achados macroscópicos na endoscopia são bastante variáveis (microabscessos, erosões lineares, traquealização, estenose), e a endoscopia pode ser completamente normal. Para não perder o diagnóstico devem ser realizadas 6 biópsias esofágicas (duas de cada segmento). Definição histológica: mais do que 15 eosinófilos por campo de grande aumento.
  • Se biópsia compatível: relizar um curso de 6 semanas com inibidor de bomba de prótons e reavaliar. Se regressão da eosinofilia para <15  eosinófilos por campo de grande aumento, define-se a entidade Eosinofilia esofágica responsiva a IBP. Se não há essa melhora: Esofagite eosinofilica clássica.
  • Alérgenos alimentares são os desencadeadores mais frequentes da inflamação na EEo, mas prick teste e rast não têm boa correlação com atividade da doença. Aeroalérgenos também podem ser desencadeadores.
  • Objetivo do tratamento é evitar complicações – fibrose/estenose.
  • Tratamento para casos leves a moderados de EEo: corticosteróides deglutidos e/ou dietoterapia.
  • Dietoterapia: vantagem de evitar efeitos colaterais, desvantagens da dificuldade de adesão, do risco de deficiências nutricionais, prejuízo a qualidade de vida e alto custo e complexidade. Mais efetivo é a dieta elementar (90%) – semelhante ao corticoide deglutido, porém impalatável e de alto custo. Diversos esquemas de eliminação empírica de alimentos são estudados, sendo o mais comum eliminar leite, ovo, soja, trigo, amendoim e nozes, peixes e frutos do mar.
  • Corticoides deglutidos: Budesonida 1mg misturada em sucralose ou outro veiculo viscoso (exemplo mel) ou fluticasona aerosolizada (110 mcg  se criança <8 anos ou 220 se >8 anos) 2 puffs aplicados direto a boca (sem espaçador), 2 vezes ao dia. Não ingerir liquido ou comida 30 minutos depois de cada dose.
  • Única modalidade para monitorar efetividade do tratamento: endoscopia e biópsias.
  • Em casos graves, associação das terapias , e outras modalidades podem ser necessárias: curso de corticosteróides sistêmicos por curto período, dilatação se estenose, dieta elementar na refratariade.
  • Uso de biológicos em casos grave ainda é empirico.