Giardia intestinalis

6 de junho de 2021

Giardia intestinalis

Giardia intestinalis é a infestação parasitária mais comum em crianças, perdendo apenas para o rotavírus como causa de diarreia aguda não disentérica. G. intestinalis é ubíqua no meio ambiente e existe em 2 formas – cistos e trofozoítos. Os cistos são a forma infecciosa usual, e apenas 10 cistos já são suficientes suficientes para causar doença. A transmissão pode ser feita por várias rotas. Os cistos podem sobreviver bem em fontes de água quente e fria. A infecção pode ser contraída em alimentos contaminados com cistos ou água contaminada. Uma via comum de infecção é a fecal-oral, observada em creches. O curso clínico após a ingestão do cisto é variável. Estima-se que 50% dos indivíduos eliminarão o organismo e permanecerão assintomáticos. Quinze por cento eliminarão cistos por até 6 meses sem doença aparente, enquanto 35% a 45% desenvolverão sintomas clínicos de giardíase.

– Os sintomas clínicos podem ser agudos ou crônicos. Os sintomas agudos geralmente se desenvolvem 6 a 15 dias após a ingestão dos cistos. Cada cisto libera 2 trofozoítos no intestino delgado superior. Os trofozoítos então aderem às células epiteliais e se dividem, mas tipicamente não invadem a mucosa intestinal. Os sintomas de uma infecção aguda incluem diarreia, que é geralmente gorduorsa e fétida; náuseas e anorexia que podem ser graves; Mal-estar; dor abdominal; e inchaço. Pode haver perda de peso importante. A giardíase crônica pode ocorrer após a fase aguda ou em certas circunstâncias na ausência de uma infecção aguda inicial facilmente reconhecida. As complicações de longo prazo podem incluir a síndrome do intestino irritável pós-infeccioso.

– Foram relatadas manifestações extraintestinais – mas existe alguma controvérsia em relação a essas associações –  incluindo alergia alimentar, urticária, artrite reativa e manifestações oculares inflamatórias. Esses sintomas podem ser intermitentes ao longo de muitos meses e podem ocorrer mesmo na ausência de eliminação detectável do parasita. É importante notar que essas manifestações extra-intestinais ocorrem na ausência de invasão do organismo ou disseminação sistêmica do parasita.

– Crianças com deficiência de imunoglobulina A (IgA) tem risco aumentado de giardíase, uma vez que a IgA é uma parte importante da defesa imunológica do intestino contra G. intestinalis. Serve tanto para proteger da infecção inicial quanto para auxiliar na eliminação do microorganismo.

– O diagnóstico da infestação por Giardia intestinalis geralmente é feito por meio da análise das fezes. Isso pode incluir ensaios de detecção de antígeno para detectar antígenos de cisto ou trofozoíta. A sensibilidade dos testes de antígeno se aproxima de 95%. A microscopia de fezes pode ser útil na detecção de coinfestação com outros parasitas, mas sua sensibilidade na detecção de Giardia em uma única amostra é de apenas 50% a 70% (portanto a sensibilidade de uma amostra é baixa); A sensibilidade aumenta para cerca de 90% se, forem analisadas 3 amostras . As amostras de biópsia do duodeno são tipicamente histologicamente normais; no entanto, pode-se notar um aumento nos linfócitos, bem como uma diminuição na proporção vilo-cripta. Por vezes, também é possível identificar o microrganismo na biópsia.

– Em pacientes sintomáticos, a terapia antimicrobiana é recomendada. Vários agentes são eficazes, incluindo metronidazol, tinidazol e nitazoxanida.

– Muitos discutem evitar lactose durante uma infecção por Giardia intestinalis, e alguns autores reportam que até 40% dos indivíduos afetados são temporariamente intolerantes à lactose.

Referencias

  • Bartelt LA, Sartor RB. Advances in understanding Giardia: determinants and mechanisms of chronic sequelae.F1000Prime Rep. 2015;7:62. doi: 10.12703/P7-62.
  • Cotton JA, Beatty JK, Buret AG. Host parasite interactions and pathophysiology in Giardia infections. Int J Parasitol. 2011;41(9):925–933 .

 


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