Laringite / Crupe viral

17 de outubro de 2017

Laringite /Crupe viral

 

– O termo crupe, mais antigo, designa o acometimento da laringe e a traqueia, abrangendo laringite, laringotraqueíte, laringotraqueobronquite, e traqueíte bacteriana.

 

– A principal etiologia é viral (80%), principalmente parainfluenza tipos 1 a 3. Outros agentes: VSR, adenovírus, influenza, rhinovírus, enterovírus, HSV, metapneumovírus, vírus do sarampo, M. pneumoniae.

 

– Ocorrência apresenta certa sazonalidade (inverno), pico de incidência nas idades de 6 a 36 meses. Discretamente mais frequente no sexo masculino.

 

– No passado, era importe o diagnósttico diferencial com epiglotite por H. influenza tipo B, que foi praticamente erradicado com vacinação para Hib.

 

– Gravidade variável conforme grau de edema e obstrução da via aérea superior. Maior risco de gravidade em idades menores devido ao menor calibre da via aérea.

– Classicamente cursa acompanhando quadro gripal. Tosse pode ter característica ladrante.

– Há diferentes escores para classificação de gravidade (Downes e Raphaely, Taussig, Westley), mas de forma geral tem mais aplicação em pesquisa do que clínica, não determinando conduta – em geral classifica-se clinicamente a crupe em:

* leve: tosse ladrante discreta, ausência de estridor no repouso, ausência de desconforto respiratório;

* moderada: tosse ladrante frequente, estridor em repouso, desconforto respiratório moderado.

* grave: tosse ladrante importante, estridor pode ser bifásico, dispneia grave.

* falência respiratória iminente: fadiga respiratória, pouca tosse, estridor pouco audível, letargia, perfusão periférica ruim.

– Imensa maioria dos quadros são leves. Graves são < 1%.

 

– Critérios de admissão: toxemia, desidratação ou aceitação via oral de líquidos ruim, quadro grave, acesso ruim ao serviço de saúde ou pouca compreensão dos pais.

 

– Diagnóstico clínico. Radiografia de região cervical classicamente pode demonstrar o “sinal da ponta de lápis” (foto do post): estreitamento das vias aéreas superiores.

 

– Tratamento: corticoide é a base do tratamento, inalações com adrenalina podem auxiliar. Corticoides estão indicados em todos os casos, são eficazes, previnem internações melhorando a evolução do quadro. A dexametasona é o glicocorticoide de escolha por apresentar maior tempo de ação e ser de fácil administração: dose única, 0,15 a 0,6 mg/kg, oral ou intramuscular – o problema da apresentação oral disponível no país é que sua baixa concentração (0,1 mg/ml) pode determinar a necessidade de administração de grande volume. Alternativamente pode-se usar prednisolona (2 mg/kg/dia por 3 dias) por ser mais disponível (apresentação de 3mg/ml disponível nas unidades básicas de saúde).

– Adrenalina inalatória é usada somente nos quadros moderados a graves, visando rápida melhora na obstrução das vias aéreas superiores. Tem efeito transitório, de aproximadamente 2 horas, e diferente do corticóide, não altera evolução. Dose: 0,5 ml/kg por dose (máximo de 5 ml) da diluição 1:1.000 (pura) – não é necessário diluir. Pode ser repetida a cada 15 a 20 minutos, em geral até 3 a 5 vezes. Após a administração de uma inalação com adrenalina é recomendável observar o paciente por ao menos 4 horas em ambiente de pronto atendimento – até que o corticoide comece a fazer efeito de forma mais importante e para que o paciente seja avaliado quanto a alta sem ação da adrenalina inalatória. Pacientes que necessitem múltiplas inalações não podem receber alta e devem ser admitidos a ambiente de terapia intensiva.

 

– Não há evidências para uso rotineiro de outras terapêuticas, incluindo: inalação com soro fisiológico, oxigênio para paciente que não apresente hipoxemia, Heliox, antitussígenos, descongestionantes, antibióticos, sedativos.