Manifestações iniciais do Câncer infantil

3 de janeiro de 2018

Manifestações iniciais do Câncer infantil

– Menos de 2% de todos os cânceres ocorrem na infância.

– Padrão de ocorrência diferente dos adultos: fatores etiológicos diferentes.

– Cura na maioria dos casos.

– Incidência crescente em crianças e adolescentes: dados americanos apontam aumento em taxa anual próximo de 1%.

– Causa de óbito importante na faixa etária de 0 a 14 anos. 7ª causa de óbito nesta faixa etária no Brasil.

– Diagnóstico precoce é difícil, pois manifestações iniciais são muito inespecíficas, com diagnóstico diferencial muito amplo, manifestações simulam/ mimetizam condições benignas da infância.

– Pacientes tem chegado cada vez mais precocemente a centros de referencias.

– Tempo médio entre queixa inicial e seguimento por especialista está em redução.

– Tipos mais comuns de cânceres infantis: leucemias, linfomas, tumor de SNC, tumores ósseos, sarcomas de parte moles.

– Diversos estudos tentam esclarecer etiologia, sem sucesso. Foram propostos: exposição pré-natal, fatores genéticos, radiação ionizante, anomalias congênitas, agentes infecciosos, fatores imunes.

– Linfonodomegalia: podem ocorrer por causas inflamatórias em qualquer cadeia. Chama a atenção quando em cadeia supraclavicular. Pode ser a manifestação inicial de neuroblastoma, linfoepitelioma, linfoma de Hodgkin e não Hodgkin, leucemias.

– Febre pode ser a manifestação inicial de leucemias, linfomas, neuroblastoma, tumores da família Ewing. Normalmente febre baixa (<39).

– Dor de dente sem causa odontológica pode ser manifestação de Burkitt, histiocitose, dentre outros.

– Dispneia pode ser ocasionada por massa mediastinal.

– Massa abdominal: tumor de Wilms, neuroblastoma, hepatoblastoma. Muitas vezes percebida pela mãe.

– Neuroblastoma: tumor sólido extra-craniano mais frequente da faixa etária pediátrica Pode se originar de qualquer ponto da cadeia simpática. 65% dos casos localizados em abdome (grande maioria em supra-renal). Mas pode ser encontrado também em cabeça e pescoço, massas torácicas, pélvicas. Equimose palpebral bilateral que não se resolve é altamente sugestiva. Nódulos subcutâneos ocorrem em estágios avançados. Outras manifestações incluem heterocromia e protusão do globo ocular.

– Síndrome de horner: ptose, enolftalmia, sudorese. Por tumor primário ou metástase em linfonodo cervical.

– Tumor de Wilms: em geral é massa abdominal assintomática. Podem estar presentes: hematúria, aniridia, pseudohermafroditismo, hiperensão, malformação genitourinária, hemihipertrofia.

– Hepatoblastoma: massa hepática em crianças pequenas < 5 anos.

– Linfoma não Hodgkin, tipo Burkitt, também pode se apresentar como massa abdominal, podendo causar dor abdominal, distensão e aumento do volume abdominal. Normalmente massas que crescem muito rápido, com frequente associação com distúrbios metabólicos pela ocorrência de lise tumoral.

– Presença de massa intranasal deve sempre levantar a suspeita de câncer.

– Rabdomiossarcomas podem aparecer em qualquer local do corpo. Correspondem a 5-8% dos tumores malignos, tem origem na musculatura estriada. Ocorre mais em meninos na proporção 1,5:1. Quanto a idade: dois picos: 2 a 5 anos e 15-18 anos. Local: 40% em cabeça e pescoço, 20% em trato geniturinário, 20% em extremidades, 10% tórax, 10% outros.

– Tumor sacrococcígeo de células germinativas: 4 subtipos, diagnóstico geralmente na faixa etária neonatal. Diagnóstico mais difícil e tardio no tipo 4, totalmente intrapélvico.

– Retinoblastoma: diagnóstico precoce pode permitir preservação do olho da criança. Sinais mais frequentes são leucocoria e estrabismo.

– Protusão do globo ocular pode ocorrer na histiocitose, LMA, rabdomiosarcoma, linfoma.

– Tumores ósseos: basicamente divididos em tumores da família Ewing e osteossarcoma. Levantamento do periósteo no rx é muito sugestivo. Região de fêmur distal e tíbia proximal são as mais frequentes localizações. Pode cursar com fratura patológica.  Metástase pulmonar é frequente.

– Puberdade precoce e virilização devem chamar a atenção para investigação de tumores. Caracteres sexuais secundários e síndrome de Cushing apontam para carcinoma de suprarrenal. Hipertrofia de clitóris é sinal de alarme em meninas. Em geral quadro reversível.

– De tumores de SNC: vômitos, cefaleia, alteração de personalidade/humor, estrabismo, déficit de crescimento, diminuição da performance escolar, convulsão, emagrecimento.

– Outras manifestações: Hipertrofia gengival, cloromas.

– Fundamental considerar que sobreviventes de câncer infantil tem risco 6x maior de desenvolver novo câncer comparado com a população geral (incidência cumulativa de 2º câncer em 25 anos de 3,5%). Risco maior se radioterapia e se alguns quimioterápicos específicos.