Massa abdominal – Diagnóstico diferencial & avaliação inicial

2 de julho de 2018

 

Massa abdominal – Diagnóstico diferencial & avaliação inicial

 

Diagnóstico diferencial

 

– Diferentes categorias quanto a origem anatômica da massa: renal, hepatobiliar, adrenal, gastrointestinal, pancreática, esplênica, e genitourinaria.

– Frequência da origem anatômica da massa varia com idade. Em recém-nascidos mais da metade dos casos de massa abdominal é de origem renal, sendo que em lactentes a maioria das massa renais é benigna (principalmente hidronefrose e doença renal policística). Contudo, deve-se manter alto índice de suspeição diagnóstica de neoplasia. A principal causa de neoplasia renal na infância é o tumor de Wilms/ nefroblastoma.

– As causas hepatobiliares constituem 5-6% das massas abdominais em pediatria, sendo a neoplasia mais comum nesse grupo o hepatoblastoma, que tipicamente acomete crianças de 01 a 03 anos de idade. Causas hepatobiliares benignas incluem hemangiomas, cistos hepáticos (que podem ter dimensões muito grandes e comprimir órgãos adjacentes), e anomalias de ductos biliates.

– A adrenal pode ser sítio do neuroblstoma, a neoplasia sólida extracraniana mais comum da infância.

– Dentre as causas gastrointestinais, a mais comum em pré-escolares é constipação (fecaloma). Outras causas gastrointestinais incluem estenose de piloro e outras malformações (em recém-nascidos e lactentes jovens), intussucepção (mais comum em lactentes), e bezoar.

– Origem pancreática é incomum em pediatria. Pseudocistos podem estar presentes após trauma.

– Esplenomegalia pode resultar de causas benignas (infecciosas, por trombose de veia porta, em hemoglobinopatias, em doenças de depósito, dentre outras) ou malignas (como linfomas).

– Finalmente, causas genitourinárias abrangem: bexigomas, anomalias congênitas, gestação, cistos ovarianos benignos, teratomas.

– Outras causas que não se encaixam nas categorias acima: hérnias, linfoma, sarcomas, infecções/ abscessos, hematomas.

 

Avaliação da criança com massa abdominal

 

– História: a idade é importante para estreitar as hipóteses diagnósticas; deve-se caracterizar a evolução da massa ao longo do tempo: há quanto tempo está presente, se cresceu, quanto cresceu, se é fixa, em qual local parecia estar presente inicialmente, se é pulsátil, se está associada a dor ou outros sintomas – febre, palidez, emagrecimento, cefaleia, linfonodomegalia, náuseas/ vômitos, alteração do hábito intestinal ou urinário; verificar se há história prévia de trauma ou outros antecedentes médicos relevantes, se há USG prévio; história familiar; se adolescente feminina, caracterizar ciclo menstrual e possibildade de gravidez.

– Exame físico: estado geral do paciente, exame abdominal completo, exame da massa, avaliação de pressão arterial e sinais vitais, alterações cutâneas, presença de linfonomegalias, avaliação da presença de hérnias, dentre outros. Deve-se observar se a consistência da massa, se fixa ou móvel, localização, se dolorosa.

 

Investigação

 

– Deve ser direcionada pelo exame clínico e hipótese(s) diagnóstica(s). Nem sempre são necessários exames complementares: por exemplo, na constipação/fecaloma, a principio não é necessário realizar qualquer exame.

– Avaliação laboratorial pode incluir: hemograma com esfregaço, perfil hepático, função renal e análise de urina, alfafetoproteina e beta-HCG em casos selecionados.

– Exames de imagem: de escolha é USG abdominal por ser pouco invasivo e não ter o problema da radiação, além de permitir , em grande parte dos casos, identificar a localização da massa e caracterizá-la. Na suspeita de neoplasia, TC ou RM devem complementar a avaliação da massa e permitir estadiamento.

 

Nos próximos posts, serão discutidos Tumor de Wilms e Neuroblastoma!