Na moda, a dieta sem glúten pode ter efeitos deletérios

10 de fevereiro de 2018

NA MODA, A DIETA SEM GLÚTEN PODE TER EFEITOS DELETÉRIOS

Novas pesquisas mostram que além de potenciais efeitos de aumento do risco cardivascular, a dieta sem glúten pode levar a um maior consumo de metais pesados, devendo ser realizada apenas quando há indicação. Os efeitos em longo prazo desse consumos de metais pesados não são conhecidos, mas com certeza esse não é um risco a que devemos expor crianças (nem adolescentes e adultos) na ausência de indicação.

 

  • A dieta sem glúten, tratamento bem indicado na doença celíaca ou sensibilidade não celíaca ao glúten, é muitas vezes  realizadas por pais e por extensão administrada a crianças sem  apropriada indicação, por ser tida como uma dieta mais saudável pela maioria das pessoas. Mas essa premissa talvez não seja verdadeira. Uma análise recente da Mayo Clinic sugere que pode haver uma acúmulo e toxicidade de metais pesados na dieta sem glúten.

 

  • O mercado livre de glúten é uma indústria que multiplicou seu tamanho em mais de 20 vezes nos últimos 15 anos, chegando a movimentar mais de 20 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos. Enquanto isso, a prevalência da doença celíaca se mantem mais ou menos estável, acometendo cerca de 1% ou menos da população, portanto não é esse grupo o responsável isolado pelo crescimento desse mercado de forma tão exponencial.

 

  • Já existe evidência científica, de que  pelo menos do ponto de vista cardiovascular, a dieta sem glúten não é mais saudável do que uma dieta padrão e que, de fato, pode ser prejudicial por vários motivos, incluindo a remoção de muitas fibras alimentares e maior consumo de carboidratados refinados.

 

  • Em geral a dieta livre de glúten  leva a um consumo maior de alimentos que potencialmente tem níveis mais altos de metais pesados, como arroz e mariscos. Estudos que avaliaram testes serológicos e testes de nível sanguíneo de metais pesados apontaram que pacientes que seguem dieta sem glúten apresentam níveis significativamente maiores de cádmio, mercúrio e, chumbo – que embora tipicamente não atinjam a faixa tóxica, são claramente diferentes nos pacientes com dieta sem glúten. Há também diferença nos níveis de arsênio urinário, significativamente maiores em pcaientes que excluem o glúten, podendo estes sim chegar a  faixa tóxica.

 

  • Esses resultados certamente chamam a atenção para o monitoramento de metais pesados em pacientes que necessitam dietas sem glúten. A potencial bioacumulação destes metais pesados ​​e toxinas ao longo do tempo pode ter conseqüências, ainda não bem conhecidas.

 

  • É fundamental estar alerta parao fato de que a dieta sem glúten pode não ser necessariamente saudável. Um nutricionista ou nutrólogo deve particpar da orientação de dieta sem glúten para garantir equilíbrio de micronutrientes e vitaminas para pacientes que necessitem realizar dieta sem glúten.

 

 

REFERENCIA:

David A. Johnson. Gluten-Free Diets: Healthy or Potentially Toxic? – Medscape – Feb 06, 2018.