Obstrução do ducto nasolacrimal

22 de setembro de 2018

OBSTRUÇÃO DO DUCTO NASOLACRIMAL

Epidemiologia

  • Os sintomas de obstrução do ducto nasolacrimal ocorrem em aproximadamente 6% dos recém-nascidos, constituindo a causa mais comum de lacrimejamento e secreção ocular persistente em lactentes. Felizmente, 90% dos essas obstruções se resolvem espontaneamente no primeiro ano de vida.
  • Enquanto obstrução do ducto nasolacrimal é relativamente benigna, é importante diferenciá-la de outras condições que podem ameaçar a visão de neonatos/ lactentes.

Fisiopatologia

  • O ducto nasolacrimal é parte do sistema de drenagem responsável pelo descarte de lágrimas. Em circunstâncias normais, a glândula lacrimal secreta aproximadamente 10mL de lágrimas em um período de 24 horas. Apenas uma pequena parte da lágrimas flui medialmente através da superfície do olho e drena através de pequenas aberturas, e posteriormente pelo ducto nasolacrimal na cavidade nasal. Uma obstrução do canal nasolacrimal leva à redução do eliminação no nariz, acúmulo e lacrimejamento excessivo.
  • Em crianças, a causa mais comum de obstrução é devido a uma membrana na Válvula de Hasner, na extremidade distal do ducto lacrimal. Esta condição é chamada obstrução congênita do ducto nasolacrimal. Outras causas de obstrução podem incluir craniofacial anormalidades, trauma, fibrose crônica ou cirurgia prévia.

 

Diagnóstico diferencial

  • Abrange uma lista de potenciais diagnósticos diferenciais, incluindo: glaucoma, conjuntivite, anormalidades da córnea, corpo estranho, trauma e anormalidades da pálpebra.
  • Nestes casos, é especialmente importante distinguir a obstrução do ducto nasolacrimal do glaucoma congênito. Deve haver uma alta suspeita de glaucoma quando uma criança presente com lacrimejamento crônico, fotofobia e turvação da córnea. Outro sinal de glaucoma inclui buftalmo (alargamento do globo ocular) que sinaliza glaucoma congênito.
  • Além disso, a conjuntivite neonatal é outra condição de ameaça à visão que pode se apresentar com lacrimejamento e secreção ocular persistentes. É tipicamente secundária à gonorreia,
    clamídia ou infecção por bactérias nativas da pele ou do trato gastrointestinal. Distingue-se da obstrução do ducto nasolacrimal pela vermelhidão da esclera ou pelo parte do olho. Uma quantidade excessiva de secreção ocular entre dois a cinco dias de idade sugere conjuntivite gonocócica, enquanto a conjuntivite por clamídia apresenta secreção mucopurulenta nos primeiros 10 a 14 dias de vida. Independentemente da etiologia, os pacientes com suspeita de conjuntivite deve ser tratada de forma agressiva em conjunto com encaminhamento para oftalmologia para prevenir complicações como sepse, pneumonite, ulceração e perfuração da córnea. Cultura e a sensibilidade da secreção devem idealmente ser obtidas para adequar a terapia antibiótica.

 

Apresentação e diagnóstico

  • Tipicamente, a obstrução do ducto nasolacrimal se apresenta lacrimejamento e secreção ocular crônicos em uma criança com menos de 1 ano de idade. Como resultado da diminuição da drenagem para o
    nariz, os lagos lacrimais podem transbordar nos cílios, pálpebras e na bochecha. À inspeção e palpação, a assimetria facial pode sugerir uma etiologia congênita ou traumática bloqueio do duto. A palpação sobre o saco lacrimal também pode resultar em refluxo de secreção. Outros sinais podem envolver complicações da obstrução nasal do ducto lacrimal como a dacriocistite, que é caracterizada por secreção purulenta, eritema, edema, calor e sensibilidade sobre o saco lacrimal.
  • O diagnóstico de obstrução do ducto nasolacrimal é tipicamente clínico. Se houver dúvida, avaliação oftalmológica com corante de fluoresceína pode auxiliar. É fundamental verificar a ausência de anomalias da córnea e da conjuntiva.

 

Tratamento

  • A abordagem depende da gravidade e duração dos sintomas, bem como a idade do paciente. Normalmente,  a conduta conservadora, com vigilância atenta é a abordagem mais comum, pois 90% das obstruções serão resolvidas espontaneamente no primeiro ano de vida. A eficácia da massagem do ducto lacrimal é bastante discutível. A região deve ser mantida limpa.
  • Uso de antibióticos geralmente não é indicado. Alguns pacientes podem desenvolver conjuntivite e secreção purulenta, nesses casos podem ser utilizados colírios antibióticos tópicos como pomada de tobramicina – que tem qualquer efeito em abrir o canal lacrimal.
  • Quando os sintomas persistem após 6-12 meses, correção pode ser indicada com um procedimento simples de sondagem –  realizada por um oftalmologista, tipicamente sob anestesia, leva apenas 2 a 3
    minutos. O procedimento envolve a inserção suave de uma pequena sonda romba no ponto
    avançá-lo cuidadosamente através do sistema de drenagem lacrimal até que seja empurrado através do
    obstrução membranosa. A irrigação com soro fisiológico é uma forma de garantir a patência do canal após
    sondagem. Em 10% dos casos, a sondagem inicial pode não ser bem sucedida.
  • Nesses lactentes, uma intubação nasolacrimal ou dacriocistoplastia com balão podem ser indicadas. A intubação nasolacrimal envolve a colocação de um stent temporário de silicone dentro dele para evitar estenose. Os stents serão removidos após 2 a 6 meses.

 

Indicações para encaminhamento

  • Embora a maior parte dos casos possa ser diagnosticada por pediatra ou médico de família, o encaminhamento a um oftalmologista ser considerado se: dúvida diagnóstica, sintomas de obstrução que persistem além dos 9-12 meses de idade, ainais e sintomas de dacriocistite aguda, conjuntivite recorrente.
  • Há alguma controvérsia em relação ao tempo ideal para encaminhamento. Alguns oftalmologistas defenderão o reparo mais precoce, após os 6 meses de idade.