Otite média aguda de repetição

26 de março de 2018

OTITE MÉDIA AGUDA DE REPETIÇÃO

 

  • Definição atual de OMA de repetição: 3 ou mais episódios em 6 meses, ou 4 ou mais episódios em 12 meses (com pelo menos 1 episódio nos 6 meses anteriores), devendo ser esses episódios bem documentados e classificados como episódios infecciosos diferentes.
  • Ainda é fundamental distinguir entre 2 contextos distintos mas bastante relacionados que podem estar presentes depois de uma Otite Média aguda (OMA): a OMA recorrente ou de repetição x a persistência de efusão na orelha média, conhecida como Otite média com efusão (OME). A OME é considerada um estágio diferente de uma OMA, cursando com disfunção da tuba auditiva, e pode predispor a uma nova OMA: OME gera um risco até 5x > de OMA, e até metade das crianças como OMA pode desenvolver OME!
  • Fatores de risco de recorrência de OMA: idade < 2 anos, sexo masculino, antecedente familiar, aleitamento artificial ou misto, insucesso clinico no tratamento de OMA – sobretudo se persistencia de sintomas > 10 dias, OMA prévia bilateral, tabagismo passivo, frequentar creches, antecedente familiar de primeiro grau de atopia, natação em piscinas públicas (maior risco de infecções virais e bacterianas, maior irritação de vias aéreas superiores com produtos clorados)
  • Determinantes de  OME: obstrução nasal crônica, OMA bilateral, outono/ inverno, idade < 2 anos.

 

A MELHOR FORMA DE LIDAR COM A OTITE MÉDIA DE REPETIÇÃO É PREVENI-LA POIS NÃO HÁ BOM TRATAMENTO!

  • Como prevenir a OMA de repetição : tratando precocemente a OMA quando indicado (ver https://novapediatria.com.br/otite-media-aguda-quem-e-como-tratar/), evitando otabagismo passivo, estimulando o aleitamento materno, vacinando a criança (sobretudo influenza anual e antipneumocócica)

 

  • Não está indicada o uso de antibioticoterapia profilática para OME: isso não interfere quanto ao risco de OMA de repetição.
  • Na presença de atopia, é muito importante tratar e controlar a doença de base: asma ou rinite alérgica.
  • A adenoidectomia isolada não tem papel comprovado em diminuir significantemente o risco de OMA de repetição ou OME. Já a timpanostomia com colocação de tubo de ventilação está indicada na OME, podendo ou não ser realizada adenoidectomia simultânea nesses casos.