Otite média aguda – quem e como tratar

19 de outubro de 2017

Otite média aguda (OMA) – quem e como tratar

 

– Doença bacteriana mais frequente na população pediátrica, principal causa de prescrição de antibióticos  nesse grupo. Relatado que mais de 60% das crianças menores de 3 anos apresenta OMA após um episódio de IVAS.

– Diagnóstico clínico adequado é fundamental para o uso racional de ATB. É essencial distinguir a OMA da OME (otite média com efusão) – pois não há indicação de uso de ATB na última. A OMA caracteriza-se por abaulamento da membrana timpânica (não somente hiperemia!) associado a opacificação dessa membrana – também podem estar presentes hiperemia e nível liquido no interior da orelha média, enquanto na OME observa-se apenas líquido no interior da orelha média, sem os demais achados. A OMA ainda em geral acompanha-se de otalgia e febre, e pode haver otorreia. Crianças verbais com OMA geralmente queixam-se de dor aguda e súbita.

 

– O manejo clínico quanto a necessidade de tratamento inicial com antibióticos ou observação em hígidas, sem patologias de base, depende da idade e da apresentação clínica da doença. Há segurança na conduta expectante sem prescrição de antibióticos na maioria dos pacientes com OMA: na ausência de sinais de gravidade, não aumenta o risco de complicações supurativas desde que o paciente seja adequadamente seguido (reavaliação).

 

– Quem tratar:

SEMPRE na presença de qualquer um dentre: menores de 6 meses, paciente com otorréia, pacientes toxemiados, febre > 39C nas ultimas 48h, otalgia persistente > 48h, ausência de possibilidade de seguimento/reavaliação.

OMA bilateral precisa ser tratada em menores de 2 anos, mesmo na ausência de otorreia ou outras manifestações de gravidade.

Conduta pode ser expectante em: pacientes maiores de 6 meses com OMA unilateral, na ausência de otorreia ou outras manifestações de gravidade, pacientes maiores de 2 anos com OMA bilateral na ausência de otorreia ou outras manifestações de gravidade.

 

– Recomendações não são válidas para pacientes tubos de timpanostomia ou implantes cocleares; com anormalidades anatômicas crânio-faciais (ex. fenda-palatina); doenças/ síndromes genéticas (ex. síndrome de Down); imunodeficientes/ imunossuprimidos..

– Antibiótico de escolha: guideline americano da AAP recomenda como primeira linha o uso de Amoxicilina, 80-90 mg/kg/dia, via oral, dividida em duas tomadas OU amoxicilina-clavulanato, 90 mg/kg/dia de amoxicilina associada a clavulanato 6.4 mg/kg/dia, via oral, dividida em duas tomadas. Dado o perfil de resistência nacional, no Brasil pode ser prescrita Amoxicilina, 50-60 mg/kg/dia, via oral.

Alternativas se alergia a penicilina: Cefuroxima 30 mg/kg/dia, via oral, dividida em duas tomadas, ceftriaxone 50 mg/kg/dia EV ou IM por 3-5 dias.

– Na falha de tratamento: como primeira linha, amoxicilina-clavulanato, 90 mg/kg/dia de amoxicilina associada a clavulanato 6.4 mg/kg/dia, via oral, dividida em duas tomadas, OU ceftriaxone 50 mg/kg/dia EV ou IM por 3-5 dias.

 

 

– Duração adequada do tratamento permanece incerta. Tradicionalmente era recomendado esquema de 10 dias, então diversos estudos apareceram propondo esquemas mais curtos de 7, 5, ou até mesmo 3 dias; posteriormente surgiram trabalhos contestando essas propostas. Evidência atualmente disponível sugere 10 dias para crianças menores de 2 anos ou com doença grave, 7 dias para crianças entre 2 e 5 anos sem sinais de gravidade, e 5 a 7 dias para crianças maiores de 6 anos sem sinais de gravidade.