Riscos da profilaxia para prevenir ITUs recorrentes em crianças com refluxo vesicoureteral

28 de julho de 2018

Riscos da profilaxia para prevenir ITUs recorrentes em crianças com refluxo vesicoureteral

 

– Crianças com refluxo vesicoureteral (RVU) frequentemente comumente recebem antibioticoprofilaxia via oral – em geral TMP-SMX, cefalexina ou  nitrofurantoina – para prevenir infecções recorrentes do trato urinário (ITUs). Uma pratica antes corriqueira, tem sido cada vez mais questionada. Alguns estudos apontam que haveria beneficio somente nos refluxos de alto grau (4 ou 5).

– Uma recente meta-análise publicada revela que a profilaxia antibiótica entre crianças (idade ≤ 18 anos) com RVU reduz o risco de infecções recorrentes do trato urinário, mas aumenta o risco de que uma ITU recorrente seja resistente a múltiplas drogas. A análise incluiu seis ensaios clínicos – compreendendo 1299 crianças (idade mediana, 1,3 anos; 83% sexo feminino) que foram randomizados para antibioticoprofilaxia por ≥ 3 meses ou placebo.

– Entre 224 crianças (17%) com nova ITU, 73% tinham RVU com dilatação (graus 3 a 5) e 86% tinham infecção por Escherichia coli como agente dessa recaída; sem diferença estatisticamente significante entres os grupos de profilaxia e controle quanto a gravidade do RVU e ao agente (E.coli). As crianças que receberam profilaxia tiveram uma maior incidência de patógenos bacterianos multirresistentes (33% x 6%), com um risco 6,4 vezes maior que os controles a ter um patógeno multirresistente na primeira reinfecção.

– A análise revelou que tratar 21 crianças com RVU com profilaxia evitaria 1 UTI. No entanto, o tratamento de 21 crianças com profilaxia também resultaria em uma criança com ITU recorrente multirresistente. Portanto, a probabilidade de prevenir a  recorrência de uma ITU com profilaxia é igual ao risco de desenvolver uma ITU multirresistente durante a profilaxia.

 

Assim, qual o melhor manejo para uma criança com RVU – com antibioticoprofilaxia ou não – continua uma pergunta ainda sem resposta. Deve-se ter em mente que o uso de antibioticoprofilaxia não é uma prática exclusivamente benéfica e isenta de risco. Podemos discutir essa informação com pais e pacientes. Refluxos de alto grau e ITUs recorrentes associadas a cicatriz renal/ perda de função renal devem ser acompanhados e discutidos também com um urologista pediátrico, visto que a abordagem cirúrgica pode trazer benefícios.

 

REFERENCIA

Selekman RE et al. Uropathogen resistance and antibiotic prophylaxis: A meta-analysis. Pediatrics 2018 Jul; 142: e20180119. (https://doi.org/10.1542/peds.2018-0119)