Proteína C-Reativa “point-of-care” pode ajudar na identificação de infecção bacteriana grave

18 de fevereiro de 2018

PROTEÍNA C-REATIVA ”POINT-OF-CARE” PODE AJUDAR NA IDENTIFICAÇÃO DE INFECÇÃO BACTERIANA GRAVE

 

  • A avaliação de criança com doença febril aguda é desafiadora. Em lactentes < 2-3 anos, em geral utilizam-se algorítimos de febre sem sinais localizatórios que apontam a coleta de exames conforma faixa etária, estado geral, status vacinal, dentre outros. Em crianças maiores a febre sem outros sinais é menos comum, porque em geral, essas verbalizam local de dor ou desconforto e apresentam manifestações menos inespecíficas – ainda assim, muitas vezes, mesmo neste grupo, a febre pode aparecer isoladamente no início do quadro infecioso.
  • Assim, em todas as faixas etárias pediátricas, a avaliação da criança febril permanece complexa e difícil, sobretudo em situações em que as crianças encontram-se em bom estado geral.
  • A febre é um sinal que em geral desencadeia grande ansiedade nos pais, que muitas vezes aceitam pouco a  proposta de conduta expectante sem coleta de qualquer exame, ainda que a criança encontre-se me bom estado geral e ainda que seja explicado que a grande maioria dos casos (até 95%) não vai evoluiu com doença bacterina grave.
  • Um algoritmo proposto utilizando o nível de proteína C reativa mostrou que esse pode faciliar a tomada de decisão para avaliar crianças com doença febril aguda. A tecnologia atual permite que essa seja coleta e determinada com amostra capilar da ponta do dedo – assim como é feito para “dextro” ou glicemia capilar.

 

  • O estudo em questão (vide referência) incluiu 5517 episódios febris em crianças de 1 mês a 16 anos, avaliadas ambulatorialmente ou em pronto-atendimento, num período de 1 ano. 5% dessas crianças apresentaram infecção bacteriana grave identificada em até 5 dias da avaliação inicial: em mais da metade dos casos, pneumonia,  e, cerca de 20% apresentaram ITU complicada.Foram avaliadas  características clínicas e testes rápidos de PCR (capilar, coletado no dedo). Com a análise de regressão, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para avaliar o risco de infecção grave com base no nível de PCR e características clínicas para determinar necessidade de avaliação posterior. O algoritmo em questão é extenso, consistindo em três níveis de triagem de CRP e 18 características clínicas, com sensibilidade 96% a 99%, e valor preditivo negativo alto (> 99%), garantindo que o baixo nível de PCR e a ausência de preditores clínicos de fato predizem baixa probabilidade de infecção grave.
  • No estudo PCR >75mg/L associou-se a nencessidade de pronto aprofundamento da investigação enquando PCR < 20 mg/L associou-se a baixo risco de infecção bacteriana grave. É fundamental realizar em paralelo um exame físico completo, com atenção especial a dados vitais (avaliados com criança afebril), presença de rash, sinais de irritação meningea, e avaliação do nível de consciência.
  • A tecnologia para obtenção de teste rápido de PCR é pouco disponível, mas a sua utilidade clínica associada ao fato de ser um exame pouco invasivo podem justificar o custo para obtenção de tal tecnologia.

 

REFERÊNCIA:
Verbakel JY et al. Point-of-care C reactive protein to identify serious infection in acutely ill children presenting to hospital: Prospective cohort study. Arch Dis Child 2017 Dec 21; [e-pub]. (http://dx.doi.org/10.1136/archdischild-2016-312384)