Rinite alérgica – classificação e tratamento

16 de maio de 2018

RINITE ALÉRGICA  – classificação e tratamento

 

– Doença crônica alérgico-inflamatória nasal, comum em crianças em adolescentes – com prevalência estimada de 20%. De apresentação e gravidade variáveis, pode ter importante impacto na qualidade de vida.

– Classificação: leve x moderada-grave, intermitente x persistente.

* Intermitente: Sintomas < que 4 dias/ semana, < 4 semanas.

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Persistente:> 4 dias/ semana, > 4 semanas

* Leve: ausência de incômodo, Sem prejuízo ao sono e atividades.

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Moderada-Grave: incômodo, prejuízo a atividades (esportes, lazer, escola/ trabalho)

 

 

– Medidas ambientais: pouca evidência suportam os benefícios, mas devem ser orientadas, pois sua adoção por período maior que 03 meses pode diminuir a exposição de pacientes a fatores agravantes. São elas: manter boa ventilação e iluminação dos cômodos da casa, além de evitar presença de tapetes, carpetes e cortinas; evitar nichos de colonização de ácaros, como bichos de pelúcia e estantes; evitar animais de pelo e pena; cobrir travesseiros e colchões com capas impermeáveis a ácaros; preferir travesseiros de espuma, fibra ou látex; se baixa umidade ambiental, usar umidificador; evitar banhos muito quentes. Também é preferível a realização de atividades ao ar livre.

 

– Tratamento medicamentoso

* Anti-histamínicos: uso via oral no tratamento agudamente, com boa resposta em relação a prurido nasal, espirros em salva e coriza, pouca ação sobre obstrução nasal. H1 clássicos: cetotifeno, clemastina, dexclorfeniramina, hidroxizina, prometazina. H1 de segunda geração: cetirizina, desloratadina, ebastina, epinastina, fenoxifenadina, levocetirizina, loratadina, rupatadina, bilastina.

São muito frequentes associações de anti-histamínicos e descongestionantes orais (fenilefrina e pseudoefedrina), que são contraindicados em crianças pequenas – é fundamental verificar idade e peso mínimo de cada associação, além de observar os potenciais efeitos colaterais do uso de descongestionantes.

* Antileucotrienos: uso via oral em crianças maiores 6 meses, podendo ser indicado em todas as classificações, exceto casos leves e intermitentes. Montelucaste é o mais usado: 4 mg/dia para crianças de até 6 anos, 5 mg/dia dos 6 aos 14 anos e de 10 mg/dia após os 14 anos de idade, 1x/dia, de preferência no período noturno.

* Corticoides nasais – beclometasona, budesonida, fluticasona, mometasona, triancinolona, ciclosenida: medicamentos de primeira linha, com maior eficácia no controle da rinite alérgica, bem tolerados e seguros. Com bons resultados em relação a obstrução nasal, rinorreia, prurido, espirros. Resposta rápida, em 7-8 horas da primeira aplicação. Indicação em todas as classificações, exceto casos leves e intermitentes.

* Cromoglicato dissódico: estabilizador de membrana de mastócitos. Uso seguro, bem tolerado, via nasal ou ocular.  Uso profilático pode ser indicado na rinite, exceto em casos leves intermitentes. Uso tópico, solução nasal 4%, 4x/dia.

* Lavagem nasal com solução salina: indicada em todos os casos, com potencial efeito de diminuir necessidade de outras terapias medicamentosas. Bem aplicada é segura e não apresenta efeitos colaterais.

 

– Imunoterapia: terapêutica que visa em longo prazo modificar resposta imunológica, com melhores resultados quando relação com poucos alérgenos específicos. Indicação em casos mais graves, refratariedade a outras terapias, asma concomitante.