Síndrome de Down: cuidados de 01 a 05 anos de vida 

22 de agosto de 2018

Síndrome de Down: cuidados de 01 a 05 anos de vida 

  • Após o primeiro ano de vida, a intensidade do cuidado da criança com síndrome de Down sem acometimentos graves/ passado cirúrgico em geral diminui, mas ainda deve ser frequente, com atenção ao seguimento de queixas/ comorbidades já conhecidas, e também atenção ao risco de comorbidades que podem aparecer mais tardiamente, a partir do segundo ano de vida. 
  • Não há uma frequência determinada das consultas, mas em geral aceita-se que elas devam ser ao menos trimestrais.

 

–  Áreas de atenção especial: 

  • Monitorização de sintomas neurológicos – seguimento com neurologista pediátrico mandatária na presença de epilepsia;
  • Novamente a discussão de sintomas de apneia obstrutiva do sono: respiração ruidosa, sono intranquilo, posições não usuais de sono, episódios de apneia, sonolência diurna – vale lembrar que não há uma boa correlação entre sintomas reportados e resultados da polissonografia. Mesmo na ausência de queixas, a realização de polissonografia é indicada aos 4 anos de idade (antes se queixas);
  • Avaliação da visão de forma apropriada para idade em toda consulta, avaliação oftalmológica anual – metade das crianças apresenta erro refrativo com risco de evolução para ambliopia entre 3 e 5 anos de idade: erros refrativos e estrabismo devem serabordados precocemente; 
  • risco de perda auditiva associada a otite média serosa:  na presença dessa, audiometria comportamental ou timpanometria devem ser realizadas a cada a 6 meses até os 4 anos de idade, e depois anualmente – investigação adicional com BERA pode ser necessária, na presença de perda auditiva, encaminhar precocemente para ORL;
  • Atraso da erupção dentária  da erupção dentária e hipodontia são bastante comuns. 
  • Instabilidade atlanto-occipital: exame físico cuidadoso para déficits neurológicos, pais devem estar atentas a alterações da marcha ou do uso das mãos, assim como alterações esfincterianas e cervicais. Avaliação radiologica não é indicada rotineiramente para crianças assintomáticas. Criança sintomática deve ser avaliada com radiografia de coluna cervical e encaminhamento a neurocirurgião ou ortopedista pediátrico. 
  • Vacinação anual para influenza é recomendada. 
  • TSH deve ser avaliado anualmente ou antes se sinais de disfunção tireoidiana; 
  • Seguimento com cardiologista pediátrico na presença de defeitos do septo cardíaco;
  • Risco aumentado de doença celíaca deve ser considerado, com anamnese direcionada incluindo diarreia, constipação, deficit de crescimento, dor abdominal, distensão abdominal… na suspeita investigação com painel celíaco acompanhado de medida da igA serica – não há evidência científica que justifique o screening de pacientes assintomáticos; 
  • Hemograma e perfil de ferro anual (ferritina e saturação de transferrina – ferro serico não é um bom indicador de estoques corporais!)

 

– Tipo de cuidado fora do ambiente domiciliar/ escola/ educação formal deve ser discutido precocemente já no terceiro ano de vida, para que a família pesquise opções adequadas para a cognição da criança. 

– A criança deve ser ensinada quanto ao seu corpo e genitalia/”partes privadas”, que devem ser respeitadas. Sendo importante lembrar aos pais que infelizmente crianças com limitação intelectual tem risco aumentado de abuso por terceiros. A criança deve aprender que essas partes só devem ser vistas ou tocadas dentro do contexto de cuidados de saúde e higiene pessoal, por pessoas de confiança da criança/núcleo familiar. 

– Deve-se considerar a frequência aumentada de transtorno do espectro autista, transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e outros distúrbios psiquiátricos e comportamentais. 

– A prática de esportes de contato e ginástica olímpica são em geral desencorajados pela instabilidade atlanto-occipital e risco aumentado de lesão medular. Mas a pratica de atividade física e a adoção de hábitos saudáveis devem ser discutidos e encorajados, lembrando o risco aumentado de obesidade nessa população.