Síndrome de Edwards/ trissomia do cromossomo 18

25 de abril de 2019

Síndrome de Edwards/ trissomia do cromossomo 18

 

– A trissomia do cromossomo 18 ou síndrome de Edwards (epônimo relacionado a John Edwards – que descreveu a síndrome 1960). É um diagnóstico genético, dentro do qual pode haver três cópias de todo o cromossomo 18 ou duas cópias completas mais o braço longo do cromossomo 18 – em todas as células (alteração somática), ou em apenas algumas células (mosacismo genético).

– A incidência da trissomia do 18 intra-utero é estimada em 1:2500, sem diferenciação quanto a gênero. Há uma alta taxa de morte intra-uterina a partir do segundo trimestre, estimada em cerca de 35%, que afeta mais o sexo masculino. Como resultado, a incidência de nascidos vivos é de aproximadamente 1:6000, com predomínio de nascidos vivos do sexo feminino.

– A literatura é limitada sobre os fatores de risco potenciais. Os fatores de risco reconhecidos incluem idade materna maior que 35 anos e uma gravidez afetada anterior.

– Triagem no primeiro trimestre, com marcadores séricos maternos incluindo alfa-feto-proteína, PAPP-A (proteína plasmática A associada à gravidez), hCG (beta-gonadotrofina coriônica humana) e Estriol, juntamente com ultrassonografia são cuidados  que podem sugerir risco da trissomia na presenca de nivel alterado de (reduzido) de AFP, PAPP-A e Estriol. A ultrassonografia pode detectar uma ampla gama de anormalidades, mas sem alterações especificas/exclusivas associadas à Trissomia 18. Algumas das características mais comuns associadas à T18 que podem ser detectadas pela ultrassonografia incluem: restrição de crescimento intrauterino (tipicamente observada quando idade gestacional >32 semanas), cisto do plexo coróide ou ventriculomegalia cerebral, defeito do septo ventricular ou fissura lábio, dedos sobrepostos, pé talo vertical congênito e onfalocele. Polidramnios esta presente em 30-60% dos casos. Há também associação com hemorragia anteparto e pré-eclâmpsia.

– Há uma série de características dismórficas que podem ser observadas em lactentes com Trissomia 18, embora essas sejam inespecíficas: baixo peso ao nascer, microcefalia, occipital proeminente, face triangular invertida, ponte nasal proeminente, palato alto arqueado, micrognatia, diâmetro bifrontal estreito, orelhas de implantação baixa ou mal formadas, hipertelorismo, fissuras palpebrais curtas, pregas epicânticas, opacidade da córnea, microftalmia, paralisia facial, lábio leporino, palato arqueado, pescoço alado, esterno curto, mamilos espaçados ou pequenos, hérnia umbilical, pélvis pequena, deformidades de mãos/ dedos cruzados, prega palmar única, ausência de prega distal no quinto dedo, abdução do quadril limitada, sindactilia, polidactilia, hipoplasia do polegar ausente, hiperextensão dos membros inferiores, pé valgo, anormalidades genitais (incluindo hipoplasia de grandes lábios, clitóris proeminente, hidrocele, criptorquidia, hipospádia), onfalocele, ânus imperfurado, pé talo vertical congênito, dentre outras.

– Prognostico: como mencionado anteriormente, há uma chance de 30-35% de morte intra-uterina do segundo trimestre. Há ainda um risco adicional de 20-39% de morte durante o parto. O parto é freqüentemente complicada por apresentação pélvica, polidrâmnio, restrição de crescimento intra-uterino e sofrimento fetal, muitas vezes levando ao parto por cesariana. Historicamente, a Trissomia 18 era considerada um diagnóstico não-sobrevivível (por algum tempo chegou a ser considerada contra-indicação a reanimação neonatal). A expectativa média de vida dos nascidos vivos afetados varia entre os estudos, relatada inicialmente entre 3 e 70 dias, com taxa de sobrevivência de um ano reportada entre 5 e 10%. O sofrimento cardiorrespiratório é a causa mais comum de mortalidade. Relatos de casos recentes e estudos mostraram melhores resultados com o manejo da intervenção completa: taxas de sobrevivência mais recentemente reportadas variam de 10-25% em um ano e 10-15% em 5 e 10 anos. A decisão quanto ao tipo de manejo e grau de suporte cabe aos pais, que devem ser informados, mas não pressionados a uma forma ou outra de manejo.

 

– Tratamento de suporte conforme o tipo de morbidade relacionada presente.

* Desconforto respiratório pos-natal é comum e deve ser antecipado antes do parto, com a necessidade esperada de ressuscitação e admissão na Unidade de terapia intensiva neonatal. Episódios apneicos são freqüentes nos primeiros meses de vida, e exigem investigação para diferenciar a causa central versus a obstrutiva, pois ambas são comuns na Sindrome de Edwards.

* Malformações cardíacas congênitas são comuns e podem requerer tratamento cirúrgico.

* Distúrbios de deglutição são comuns e podem exigir a alimentação via sonda nasogastrica ou via gastrostomia, para prevenir eventos de aspiração e apoiar o crescimento e desenvolvimento.

* Podem estar presentes e exigir intervenção cirúrgica no início da vida: fissura labiopalatina, onfalocele, ânus imperfurado.

* a trissomia 18 está universamente associada a déficits neurocognitivos profundos. Alguns marcos de desenvolvimento são relatados, embora atrasados. Hipotonia no lactente pode complicar a alimentação e as dificuldades respiratórias. Mais tardiamente, se desenvolve hipertonia, evidente em crianças maiores e adolescentes. Convulsões são comuns. A visão e a audição podem ser afetadas.

 

– Em geral, trata-se de uma assistência complexa que envolve terapia intensiva neonatal, cirurgia Cardíaca, cirurgia Geral, oftalmologia, neurologia, pediatria geral, e pode envolver muitas outras especialidades como ortopedia, cirurgia plástica, gastroenterologia pediátrica, dentre outras especialidades medicas, alem de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia. Cuidados contínuos, reabilitação e intervenções precoces são recomendados.

– Ultrassonografia abdominal é recomendada a cada 6 meses até a adolescência para rastreamento do tumor de Wilms e hepatoblastoma, ambos associados à T18.

– Algumas fontes recomendam palivizumabe para prevenir a infecção pelo vírus sincicial respiratório nos primeiros 1-2 anos de vida, pois pode representar um sério risco de morbimortalidade.

– Regularidade do seguimento deve ser determinada individualmente.

– Avaliação para a escoliose é importante para as crianças após os 2 anos de idade.

– Um esquema regular de imunização deve ser seguido.