Uso de polietilenoglicol (PEG) no tratamento da constipação

17 de janeiro de 2018

Uso de polietilenoglicol (PEG) no tratamento da constipação

 

– A constipação constitui até 3% das queixas em consultório de pediatria geral, e até 20% das consultas de especialista.

– Como mencionado no texto de “Manejo dietético da constipação em pediatria”, a imensa maioria dos casos de constipação em pediatria vai necessitar de terapia medicamentosa, uma vez que a impactação é frequente nesse grupo etário, e há pouca resposta a medidas dietéticas.

 

– O PEG revolucionou o tratamento da constipação em pediatria, diminuindo muito a necessidade de terapia via retal. Como alternativa ao PEG, a lactulose, ainda é considerada como primeira linha, porém também de alto custo (assim como o PEG). Ambas as medicações não estão disponíveis para distribuição na rede pública.

Leite de magnésia e óleo mineral são mais acessíveis e estão disponíveis na rede pública, porém são considerados terapia de segunda linha. O óleo mineral é contraindicado em menores de 2 anos e em neuropatas/ pacientes com risco de aspiração, tem baixa efetividade e seu uso foi praticamente abandonado nos países de primeiro mundo.

 

– “Muvinlax” é nome comercial do o polietilenoglicol 3350, com eletrólitos. Tem leve gosto de limão, o que para algumas crianças compromete a aceitação em longo prazo. Deve idealmente ser diluído em água, mas pode também ser diluído em água flavorizada ou suco.

– O PEG sem eletrólitos, polietilenoglicol 4000, pode ser manipulado, com as vantagens de não ter um gosto mais forte como o PEG3350, e de poder ser diluído em leite, o que facilita a administração para crianças. A manipulação pode ser prescrita com dose individual em sache, ou em pote de maior quantidade se houver possibilidade da farmácia de manipulação fornecer ou orientar colher-medida (o que em geral diminui o custo da manipulação).

 

– A resposta ao uso de PEG é logo nas primeiras semanas. Não adianta iniciar tratamento e reacessar sintomas após longo período, como às vezes é feito (por exemplo em 2 meses), pois essa postura leva a grande risco de os cuidadores deixarem de usar a medicação por considerar que o paciente não respondeu quando na verdade poderia  ser que o paciente respondesse a dose maior. O ideal é que o paciente seja reavaliado em 1-2 semanas.

 

– Na presença de fecaloma/ impactação fecal, o tratamento inicial deve ser realizado com PEG (3350 ou 4000) por via oral na dose de 1-1.5 g/kg/dia, durante 3 a 6 dias. Outros esquemas com doses mais elevadas para desimpactação, descalonando a dose ao longo dos dias, são descritos, mas em geral seu uso é reservado ao especialista (gastroenterologista pediátrico).

Na impossibilidade de uso da medicação via oral, a terapia retal (enema, solução glicerinada) pode ser utilizada pelo mesmo período – até 6 dias.

 

– Como terapêutica de manutenção, o PEG via oral é o tratamento de primeira escolha. Recomenda-se a dose inicial de 0.4-0.5 g/kg/dia, podendo ser ajustada/ aumentada conforme a resposta.

– É melhor que seja administrado em dose única diária, pois assim apresenta melhores resultados. Idealmente deve ser consumido em no máximo 20-30 minutos.