Uso de Testes respiratórios em Gastroenterologia Pediátrica

16 de agosto de 2021

Uso de Testes respiratórios em Gastroenterologia Pediátrica

 

– Publicado em 20 de de 2021, o “ESPGHAN Position Paper on the Use of Breath Testing in Paediatric Gastroenterology” trouxe um excelente resumo sobre o uso de testes respiratóios em Gastroenterologia pediátrica, além da epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de má-absorção de carboidratos. O documento foi descrito com o objetivo de fornecer orientação especializada e considerações práticas em relação às indicações, utilidade e segurança dos testes respiratórios. Partiram de 9 questões clínicas, que foram respondidas a partir de uma revisão sistemática da literatura de 1983 a 2020 (PubMed, MEDLINE e Cochrane). Fizeram um total de 22 recomendações, que foram discutidas e finalizadas em reuniões de consenso, utilizando-se o Sistema GRADE. 

 

– Quanto ao contexto em relação ao uso dos testes respiratórios:

  • Vantagens: não invasivos, de custo relativamente baixo e relativamente fáceis quanto a sua execução
  • Pontos problemáticos: falta padronização quanto às indicações dos testes, metodologia do teste e interpretação de resultados
  • A má absorção de carboidratos é provavelmente a indicação mais ampla dos testes respiratórios: os testes de hidrogênio são usados ​​em combinação com avaliação de sintomas (questionário de sintomas padronizado e validado)
  • Para diagnosticar super-crescimento bacteriano do intestino delgado: utiliza-se o teste respiratório de glicose e hidrogênio ou lactulose com medida de hidrogenio e metano
  • O teste respiratório da Ureia marcada com Carbnono-13 é usado para avaliação dos tratamentos de erradicação H. pylori ou em estudos epidemiológicos
  • Há também alguns estudos quanto a um papel de testes respiratórios na avaliação do tempo de trânsito oro-cecal

 

– I. Quanto a Metodologia dos testes respiratórios de hidrogênio e metano
Recomenda-se…
1. Que os antibióticos, probióticos e laxantes sejam interrompidos por pelo menos 4 semanas antes do teste.
2. Evitar exercícios e fumar antes e durante o teste.
3. Que crianças realizem jejum por t>12 h, e bebês menores de 6 meses, por> 6 h.
4. Que as crianças evitem alimentos fermentáveis no dia anterior ao teste.
5. Realizar medições de H2 e CH4 para melhorar a precisão do teste.

 

– II. Quanto a como interpretar os testes respiratórios do hidrogênio e metano

Recomenda-se que
6. Um aumento de ≥20 ppm da linha de base no hidrogênio no ar expirado durante o teste deve ser considerado positivo para o teste de frutose e lactose.
7. Até que melhores dados estejam disponíveis, o aumento ≥20 ppm da linha de base no H2 em 90 minutos deve ser considerado um teste positivo para sugerir SIBO/ SCBD.
8. Na ausência de distúrbios de motilidade subjacentes, se o nível basal for ≥20 ppm, o teste deve ser interrompido e um novo teste programado.
9. Dois picos no teste respiratório não são necessários para o diagnóstico de SCBD.
10. Até que mais dados estejam disponíveis, um aumento > 10 ppm da linha de base para o metano seja considerado um teste positivo.
11. Até que mais dados estejam disponíveis, uma dose de ataque de 1 g/kg até um máximo de 50 g para lactose e glicose pode ser considerada. (talvez a recomendação mais controversa deste documento, visto que guideline de adultos norte-americano recomenda dose de lactose de 25g)

 

III. Quanto a Intolerância à lactose
12. Não usar o teste respiratório para avaliar de intolerância a lactose na investigação diagnóstica de crianças com FGIDs relacionados à dor abdominal.
13. A menos que a criança seja incapaz de cumprir um teste respiratório, que não sejam usados rotineiramente na investigação de crianças com suspeita de intolerância a lactose: teste genético*; atividade da lactase da biópsia intestinal; teste de tolerância à lactose ou o teste de gaxilose.

 

IV. Quanto a Má-absorção de frutose (“intolerância a frutose”)
14. Não usar o teste respiratório para avaliar de intolerância a frutose na investigação diagnóstica de crianças com FGIDs relacionados à dor abdominal.

 

V. Quanto a outras síndrome de má-absorção de carboidratos
15. Recomenda-se que diagnóstico de deficiência congênita de sacarose-isomaltase seja geralmente feito com testes genéticos após o aparecimento de uma síndrome de má absorção quando exposição pela primeira vez a sacarose e amido na dieta.
16. Testes com Sorbitol, manitol e xilose não são úteis para diferenciar entre as causas de danos intestinais que levam à má absorção de carboidratos.

 

VI. Quanto ao supercrescimento bacteriano de intestino delgado
17. Recomenda-se o uso do teste respiratório do hidrogênio com glicose e do teste respiratório da lactulose para o diagnóstico de SIBO.

 

VII. Quanto a Estimativa do tempo de trânsito oro-cecal (TTOC)
18. Recomenta-se não usar teste respiratório para estimativa de TTOC em crianças.

 

VII. Quanto ao Teste respiratório com Ureia-13C na infecção por H. pylori
19. Não deve ser aplicado para diagnosticar a infecção por H. pylori, mas apenas controlar o sucesso do tratamento de erradicação.
20. O sucesso da terapia de erradicação deve ser monitorado 4 a 6 semanas após interromper os antibióticos e pelo menos 2 semanas após interromper os Inibidores de Bomba Protonica.

 

IX. Quanto a outras indicações
21. Não recomenda-se o uso do teste de hidrogênio expirado nem na abordagem diagnóstica nem no acompanhamento da doença celíaca.
22. Recomenda-se o uso do teste respiratório com triglicerídeo com 13C para o diagnóstico e monitoramento terapêutico da insuficiência pancreática exócrina.

 

REFERENCIA/FONTE:

Broekaert, Ilse Julia*; Borrelli, Osvaldo; Dolinsek, Jernej; Martin-de-Carpi, Javier§; Mas, Emmanuel||; Miele, Erasmo; Pienar, Corina#; Ribes-Koninckx, Carmen**; Thomassen, Rut††; Thomson, Mike‡‡; Tzivinikos, Christos§§; Benninga, Marc|||| An ESPGHAN Position Paper on the Use of Breath Testing in Paediatric Gastroenterology, Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition: July 20, 2021 – Volume – Issue – doi: 10.1097/MPG.0000000000003245

 



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