VACINAÇÃO PÓS-EXPOSIÇÃO: SARAMPO, VARICELA, HEPATITES A e B, TÉTANO

15 de abril de 2018

VACINAÇÃO PÓS-EXPOSIÇÃO: SARAMPO, VARICELA, HEPATITES A e B, TÉTANO

 

Apesar de idealmente designadas a prevenção primária de doenças, vacinas tem um importante papel na profilaxia após a exposição. O conhecimento de quem, quando e como realizar essa profilaxia para individuos comunicantes ou expostos a determinadas doenças é muito importante.

– SARAMPO: Incidência mundial crescente relacionada recusa vacinal/ movimento anti-vacinas, sobretudo na Europa. Ùltimo casos autóctones no Brasil em 2000. Complicação mais frequente é otite, e a mais temida é pneumonia – pelo próprio vírus pior que bacteriana. Acomete indivíduos não vacinados em qualquer faixa etária. Pelo critério de vigilância (bastante amplo), considera-se caso suspeito toda pessoa com febre e exantema, acompanhado de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independente da idade ou situação vacinal.

* Diante de um comunicante não vacinado: vacina de bloqueio (tríplice viral) pode ser realizada até 72 horas após a exposição a partir dos 6 meses de idade. Importante observar que crianças vacinadas entre 6 meses e 1 ano de idade, devem ser revacinadas com 01 ano de idade e completar esquema vacinal (com segunda dose aos 15 meses) – respeitando um intervalo de 30 dias entre doses.

* Gestantes expostas não devem receber a vacina (pois é de vírus vivo atenuado): indicada imunoglobulina hiperimune na dose de 0,25 ml/kg, IM, dose máxima 15 mL, até 06 dias do contato.

* Paciente imunodeprimidos expostos: imunoglobulina hiperimune na dose de 0,5 ml/kg, dose máxima 15 mL, até 06 dias do contato.

 

– VARICELA: incidência nacional decrescente após a incorporação da vacina no calendário SUS.

* Vacina de bloqueio pode ser realizada em pacientes expostos e não vacinados ou que não tiveram a doença, até 120 horas do contato com o caso índice.

* Imunoglobulina (VZIG) pode ser realizada até 96 horas da exposição, indicada para gestantes,  imunodeprimidos de qualquer faixa etária, RNs de mães que apresentaram varicela nos últimos 05 dias da gestação ou nos primeiros 02 dias após o parto, RNs com idade > ou = 28 semanas filhos de mãe não imunes a varicela,  RNs com idade < 28 semanas independente da história materna de varicela. Dose de 125 UI para cada 10 kg de peso corpóreo, dose mínima de 125 UI, máxima de 625 UI.

* Alternativa na indisponibilidade de VZIG: uso de aciclovir, do 9º ao 14º dias após  exposição, na dose de 40 mg/kg, 6/6h.

 

– HEPATITE B: vacinação foi liberada nacionalmente para todas as faixas etárias (esquema completo).

* Exposição ocupacional de profissional de saúde não vacinado ou com esquema incompleto: Imunoglobulina + completar vacinação.

* Exposição ocupacional de profissional de saúde vacinado e com soroconversão: nenhuma medida profilática.

* RNs filhos de mãe com VHB: recebem vacina precocemente e imunoglobulina assim que disponível (0,5 mL, IM), nas primeiras 12 a 24 horas de vida. Passo mais importante é a vacina, que não deve ser postergada na ausência de disponibilidade de Ig.

* Imunoglobulina para outras faixas etárias: 0,06 mL, dose máxima de 5 mL

 

– HEPATITE A: profilaxia pós exposição em pacientes não vacinados pode ser realizada em até 2 semanas.

* Menores de 1 ano (e >40 anos): Imunoglobulina hiperimune. 0,02 mL/kg, máximo 15 ml, IM.

* Pacientes de 1-40 anos: vacina.

* Profilaxia também está indicada para RNs de mães cujas manifestações se iniciaram 02 semanas antes até 01 semana após o nascimento.

 

– TÉTANO: indicação de profilaxia depende da história de imunização e do tipo de ferimento.

* Vacinação incompleta ou incerta: realizar vacina e imunoglobulina/ soro antitetanico se ferimento profundo/sujo, apenas a vacina se ferimento limpo e superficial.

* Esquema vacinal completo (03 doses) com última dose há menos e 05 anos: nenhuma medida, independente do tipo de ferimento.

* Esquema vacinal completo (03 doses) com última dose entre 05-10 anos: nenhuma medida se ferimento limpo e superficial, vacinar se ferimento sujo/ profundo.

* Esquema vacinal completo (03 doses) com última dose mais de 10 anos: vacinar, independente do tipo de ferimento.

Portante, a unica situação em que se faz  imunoglobulina/ soro antitetanico é em paciente não vacinado/ esquema incerto ou incompleto que apresente ferimento profundo/ sujo.

 

 

OBS:

  1. Em caso de surtos ou epidemias, os órgãos responsáveis devem se posicionar indicando a politica vacinal mais apropriada para aquele contexto, que pode ser diferente da politica anteriormente vigente, como foi o caso recente da Febre amarela (indicada dose fracionada e ampliada a indicação nacionalmente)
  2. Na exposição a doenças meningocócicas é recomendado o uso de antibiotico a contactantes íntimos, não havendo atualmente indicação de vacinação de comunicantes. Em contexto de surtos de doença meningocócica, o CDC indica a realização de vacinas (ACWY ou B) de acordo com o sorogrupo do surto, respeitando as faixas etárias para quais o mesmo órgão indica as vacinas (ACWY acima de 2 meses, e B acima de 10 anos)