Vacinas em situações especiais

7 de novembro de 2017

Vacinas em situações especiais 
 
  • Vacinação no imunossuprimido: pacientes oncológico e em uso de biológicos via de regra não podem receber vacinas agentes vivos. Podem receber  vacinas inativadas, mas muitas vezes essas geram respostas imunes insatisfatórias – por isso, se vacinas inativadas são administradas durante a imunossupressão, devem ser repetidas em surtos. 
  • Lembrando que são vacinas de agentes vivos: BCG, rotavírus, pólio oral, SCR, varicela, Febre amarela.
 
  • Ideal fazer vacinas antes da imunossupressão, se possível: vacinas vivas idealmente com 4 semanas de antecedência, e vacinas inativadas 2 semanas antes. Vacinas vivas pelo risco da replicação do microorganismo, das vacinas inativadas para que haja tempo de uma resposta imune satisfatória 
  • Quando planejamento de vacina após imunossupressão: vacinar 3 meses após a quimio, 6 meses após imunobiológicos 
 
  • Vacinação do imunocompremetido inclui cuidado de vacinar contatos domiciliares: para influenza, SCR, varicela, zoster, rotavírus.
  • Cuidado com rotavírus que é excretada até 4 semanas nas fezes. Se possível imunossuprimido não deve realizar troca de fraldas de paciente vacinado neste período. 
  • Para profilaxia de poliomielite: contactante deve rever IPV e não OPV. Contactantes não participam de campanhas contra pólio (nas campanhas é dada OPV)
  • Evitar contato se contactante recebe vacina de varicela e desenvolve lesão. 
 
  • Imunocomprometido recebe Pneumo23 valente para complementar pneumo10V. Na rede pública apenas pneumo10V, que só é licenciada até os 5 anos. Pneumo13 tem licença extendida em qualquer faixa etária, mas não está disponível na rede pública. 
 
  • Meningococo C pelo CRIE (preferível ACWY se possível – rede privada): indicada para imunocomprometidos de qualquer idade.
 
  • HPV: eficácia é muito superior em criança a partir de 9 anos do que comparado a adolescentes ou adultos jovens. Indicação para adolescentes de 9-14 anos: duas doses (intervalo de 6 meses). Para pacientes imunocomprometido, preconizado é de 3 doses, pois resposta é diminuída. 
 
  • Varicela e hepatite A: na rotina da rede pública, uma dose, para o imunocompremetido 2 doses (como realizado na rede privada)
 
  • Exposição varicela para paciente imunocomprometido: imunoglobulina é recomendada para paciente susceptivel, com contato significativo (domiciliar, permanência de até 1 hora, hospitalar se no mesmo quarto), até 96 horas do contato – tempo de proteção não bem conhecido (provavelmente 21 dias). 
 
  • Imunobiológicos suprimem resposta vacinal por tempo maior que quimioterápicos. Após seu início, um regra geral é vacinar 6 meses após.
  • os que são igG1, como infliximab e adalimumab, passam pela placenta, devendo ser interrompidos no último trimestre na gestação. 
  • Medicamentos que atuam sobre TNF-alfa: risco de reativação de TB latente. Há relato de caso de lactente que morreu após infecção disseminada por BCG após receber a vacina, pois a mãe apresentava doença de Crohn e foi tratada com infliximab durante a gestação. Assim, é recomendado que RNs/lactentes filhos de mães que receberam anti-TNFalfa igG1 tenham dose de BCG adiada. 
  • Rituximab é anti células B, vacinas após o uso desse medicamento devem ser adiadas por 6 meses. 
  • Outra forma de considerar a vacinação em relação a imunobiológicos é recomendar a vacina após 5 meia vidas da droga em questão 
 
  • Com o uso de corticoide, recomenda-se adiar vacinação por 1 mês a partir de do uso prolongado, >14 dias, de dose >2mg/kg. 
 
Vacinação no asplenico  anatomico ou funcional 
  • Principais causas de asplenia em crianças: doença falciforme e talassemia major.
  • Falciforme infecta mais porque tem mecanismo múltiplos de imunossupressão 
  • Após espenectomia cirúrgica ATB profilaxia está indicada. Duração é discutível. A princípio até 5 anos – há quem defenda que toda a vida. 
  • Vacinação para pneumococo, haemophilus, varicela, hep A via CRIE
 
Vacinação na gestante 
  • SBIM tem calendário específico da gestante: indicadas – dTPa, influenza e hep b , contra-indicadas – SCR, V, HPV, BCG e dengue, em situações especiais podem ser feitas hep A, FA, raiva, meningococo, Pneumo, IPV 
  • Coqueluche: incidência crescente em lactentes jovens. Número de casos vai exponencialmente com idade, grande maioria dos diagnósticos no primeiro trimestre de vida. 80-98% dos casos de óbito em menores de 1 ano. Mais de 70% dos casos é transmitido por contactantes domiciliares. Melhor nível de proteção: vacinando gestante. Nas fases de desabastecimento vacinal: vacinar na rede pública. Vacinação materna interfere um pouco na resposta das duas primeiras doses. Recomendação mais atual: vacinar após completar 20 semanas, em todas as gestações (para níveis altos de proteção do RN). Proteção aumenta ainda mais se outros contactantes são vacinados. 
  • Influenza: vacina tri ou tetravalente, em qualquer etapa da gestação. Cobertura nacional: 6 meses a 5 anos, e grupos de risco – gestante, puérperas, trabalhadores de saúde e educação, indígenas, … Momento da vacinação é o momento da sazonalidade do influenza. 
  • Vacina de hepatite B é segura e recomendado na gestação de mãe não vacinadas. Hoje vacina é disponível para todos os adultos na rede pública. 
  • Febre amarela é a princípio contra-indicada na gestação, podendo ser utilizada em situações de benefício. Contra-indicada na lactação até que o bebê complete 6 meses – se nutriz for vacinada deve ser suspensa amamentação por 10 dias (período anterior recomendado era de 10 dias) 
  • Imunização para HPV não foi prospectivamente estudada em gestantes, mas estudo retrospectivo de vacinação inadvertida de gestantes não mostrou aumento de eventos adversos 
 
  • Ver manual do CRIE: recomendações vacinais antes, durante e depois de quimioterapia, radioterapia, corticoterapia.