Video-cápsula endoscopica em pediatria

25 de outubro de 2020

Video-cápsula endoscopica (VCE) em pediatria

  • A Video-cápsula endoscopica (VCE) tem como principal indicação  a avaliação da mucosa do intestino delgado, tendo papel principal na doença de Crohn, mas tambem sendo usada na identificação de local (is) de sangramento gastrointestinal obscuro e a avaliação de síndromes de anemia, diarreia e síndromes polipose. A maior parte da literatura pediátrica reflete a indicação em doença de Crohn.
  • A VCE é oficialmente recomendada como método de vigilância em síndromes de polipose intestinal: na Sindrome de  Peutz-Jeghers a triagem gastrointestinal deve começar no máximo aos 8 anos de idade em um paciente assintomático, e inclui a VCE, além da endoscopia digestiva alta e colonoscopia.
  • Considerado um procedimento seguro e bem tolerado também na faixa etária pediátrica
  • No Brasil, a Pillcam® foi aprovada/licenciada pela ANVISA. Deve-se notar que existem diferentes tipos – para trato gastrointestinal alto (PillCam UGI®), para colon (PillCam colon®), e para delgado e colon (PillCam Crohn’s®). A mais estudada em pediatria é a delgado (“Crohn’s”): A de  tratado gastrointestinal alto, “UGI”, foi licenciada acima de 18 anos, enquanto as demais foram licenciadas acima de 8 anos  (http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/REL/REL[42160-2-12909].PDF). O órgão regulamentador FDA dos EUA, por sua vez, reconhece o uso da VCE para delgada a partir de 2 anos de idade. As “Diretrizes Clinicas na Saúde Suplementar” da Associação Medica Brasileira e Agencia Nacional de Suplementar, no seu capitulo “Capsula Endoscopica: intestino delgado”, de autoria da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, reconhece a aplicabilidade da VCE em crianças, colocando a idade abaixo de 5 anos como uma contra-indicacao relativa , e concluindo que “A indicação da capsula endoscópica em crianças deve ser individualizada, pois ainda não existem estudos controlados e aleatorizados comprovando o seu benefício.” (https://diretrizes.amb.org.br/ans/capsula_endoscopica-intestino_delgado.pdf)

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  • A primeira preocupação sobre o uso de VCE em pediatria se relaciona a capacidade da criança de engolir a câmera – os dispositivos variam de 10-11 × 24-26 mm em dimensão dependendo do fabricante. O “obstaculo” da deglutição pode superado pela colocação endoscopicamente do dispositivo, com a desvantagem de essa requerer sedação/anestesia. A colocação endoscópica pode ser feita com o dispositivo colocado em uma rede de recuperação ou por meio de dispositivos adaptativos desenvolvidos comercialmente que permitem a implantação. Sugere-se que, quando colocada via endoscopia, a cápsula seja implantada distalmente no duodeno para evitar o problema de retenção gástrica prolongada.
  • Outra preocupação sobre a VCE é a retenção da cápsula no intestino.  A retenção da cápsula é definida como a falta de passagem da cápsula 2 semanas após a ingestão ou implantação. Embora as cápsulas de “patencia” ou “permeabilidade” (cápsulas solúveis de tamanho idêntico a “verdadeira” destinadas a serem administradas antes da colocação do dispositivo) estejam disponíveis, a passagem dessas cápsulas não garante a passagem do dispositivo real.
  • Preocupações adicionais incluem o mau funcionamento do equipamento, a possibilidade de uma lesão perdida e a probabilidade de estudo incompleto. A taxa de conclusão do estudo, definida como a obtenção de imagens cecais, é de ~ 85%.
  • É importante observar que o paciente deve evitar o ambiente de um scanner de ressonância magnética até que a passagem seja confirmada ou uma radiografia negativa tenha sido obtida.
  • As contra-indicações ao uso de endoscopia por cápsula incluem a presença de estenose intestinal, obstrução ou fístula. Qualquer condição que leve o médico a se preocupar com a retenção do dispositivo também deve ser considerada uma contra-indicação relativa e levar a pesar cauteloso dos riscos e benefícios de prosseguir com tal estudo.
  • Mesmo com estudos de imagem prévios tranquilizadores  quanto a estenose ou possibilidade de obstrução, e/ou passagem de uma “cápsula de permeabilidade”, episódios de retenção do dispositivo ainda são relatados.
  • A presença de outros dispositivos médicos eletrônicos que possam interferir na captura de dados também pode ser considerada uma contra-indicação.
  • Os pacientes também devem ser aconselhados a evitar medicamentos antiinflamatórios não esteroidais (AINE) nos dias anteriores ao estudo, pois as úlceras da mucosa induzidas por AINE podem imitar visualmente as úlceras da mucosa devido à patologia orgânica.
  • Interessantemente, pode haver interferência do alarme de carro ou casa, ou com equipamento de rádio para polícia ou bombeiros. Alarme operam com transmissões momentâneas – dependendo da proximidade do transmissor de alarme do carro ou da casa à cápsula ingerida, pode haver uma interferência momentânea, mas não deve danificar o vídeo da cápsula. Ja, equipamento de rádio para polícia ou bombeiros podem operar com durações de transmissão mais prolongadas – entao dependendo da proximidade do transmissor do alarme da polícia / corpo de bombeiros à cápsula ingerida, isso pode causar interferência de maior duração, possivelmente causando lacunas no vídeo da cápsula.
  • Muitas pessoas pensam que o estudo da VCE implica apenas na capsula.. entretanto essa ideia não é verdadeira. Pacientes tem que usar um cinto, que contem sensores, alem de usar matriz de sensores que lembra um pouco os sensores adesivos de monitorização de um eletrocardiograma (mas colocados em localização diferentes de um ECG). Alem o paciente o paciente tem que carregador o aparelho gravador consigo (na altura da cintura, numa bolsinha lateral), ate que a capsula seja expelida.

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